O novo estudo da International Workplace Group (IWG), apontou que os modelos de trabalho flexíveis e descentralizados estão a ganhar importância com a IA, o que leva também a uma maior procura por parte das empresas face a estas mudanças tecnologias.
Face a isto, as empresas têm repensado na quantidade de espaço de escritório de que necessitam e também a forma como o utilizam. O estudo, realizado junto de CEOs e CFOs, revela que 60% consideram que o crescimento da IA tornou mais difícil antecipar as necessidades de espaço de escritório das suas organizações para os próximos dois anos.
Perante esta evolução tecnológica, as empresas estão a afastar-se de compromissos imobiliários fixos e de longo prazo, privilegiando estratégias com menor intensidade de capital e capazes de acompanhar a evolução da procura.
Em Portugal, acompanhar o ritmo da transformação tecnológica está também entre as principais preocupações dos líderes empresariais. De acordo com o 29.º CEO Survey da PwC, publicado em 2026, 48% dos CEOs inquiridos no país identificam a transformação do negócio para acompanhar a evolução tecnológica, incluindo a IA, como uma das suas principais preocupações, face a 42% a nível global.
CEOs: a maioria considera que a IA torna necessária maior flexibilidade nos espaços de trabalho
A maioria dos CEOs (88%) considera que a evolução da IA torna essencial uma maior flexibilidade nas soluções de espaço de trabalho e imobiliário. Questionados sobre a forma como a tecnologia, 42% afirmam que esta facilita o trabalho remoto e reduz a necessidade de um escritório central, enquanto 39% consideram que incentiva modelos de escritório descentralizados ou flexíveis. 37% destacam a possibilidade de aceder a talento distribuído por diferentes geografias.
Maioria dos CEOs procura custos imobiliários mais flexíveis
A maioria dos CEOs e CFOs (99,8%) afirmam também que as organizações procuram transformar custos imobiliários fixos em custos mais flexíveis, estando, 57% das empresas, a investir ativamente em soluções de trabalho híbrido. Mais de metade (55%) procura criar uma rede de espaços de trabalho mais próxima dos locais onde os colaboradores vivem, enquanto 52% estão a considerar modelos de trabalho descentralizados.
A redução de custos tornou-se também um fator a considerar nas estratégias de localização da C-suit, já que 99% afirmam que a redução de custos influencia as decisões sobre onde localizar os escritórios, sendo que, para 27%, este é já o principal fator de decisão.
Face a estas mudanças, a maioria das empresas tem vindo a criar espaços profissionais que apoiem as equipas híbridas, aumentem a agilidade e permitam aos colaboradores trabalhar em escritórios de qualidade mais próximos de casa. Em Portugal, a IWG está a acompanhar esta transformação através da expansão da sua rede para além dos principais centros urbanos, com localizações em zonas como São João da Madeira, Matosinhos, Alcabideche, Leça da Palmeira, Amarante, Portimão e Loulé.
Tem-se vindo também a constatar que as empresas que disponibilizam aos seus colaboradores uma rede de espaços flexíveis podem também beneficiar de ganhos de produtividade - os modelos de trabalho híbrido, podem gerar um aumento de 11% na produtividade nos próximos cinco anos, segundo o estudo.
Mais de três quartos dos CEOs (76%) acreditam que o escritório se tornará mais importante para as suas empresas nos próximos dois anos, enquanto apenas 0,8% consideram que perderá importância.
Dados do estudo Teletrabalho em Portugal: desafios e oportunidades do futuro, mostram que 51% dos inquiridos já tinham transformado os seus escritórios ou estavam em processo de o fazer, enquanto 45% das organizações já tinham adotado ou planeavam adotar soluções de Flexoffice nos seus espaços.
Christian Schmitz, CEO da International Workplace Group, afirmou: “A IA está a acelerar o ritmo da mudança em todas as empresas e, para terem sucesso, as organizações precisam de estratégias para os seus espaços de trabalho que lhes permitam aumentar ou reduzir rapidamente a capacidade, diminuir custos fixos desnecessários e proporcionar às suas equipas acesso a espaços profissionais de elevada qualidade onde quer que deles necessitem (...) Trata-se de dar às empresas a flexibilidade necessária para se adaptarem à evolução da tecnologia. Ninguém sabe exatamente como será a sua organização daqui a dois anos, mas as empresas sabem que precisam de agilidade para responder à mudança. É precisamente essa capacidade que a plataforma da IWG foi desenvolvida para oferecer”.
Por sua vez, Mark Dixon, Fundador e Executive Chairman da International Workplace Group, concluiu que “A IA não é apenas mais uma vaga de inovação. Está a acelerar a velocidade dos negócios a um ritmo que poucos poderiam ter antecipado, tornando muito mais difícil para as empresas prever aquilo de que irão necessitar, mesmo num horizonte de apenas dois anos. Neste contexto, assumir compromissos de longo prazo com espaços de escritório faz cada vez menos sentido (...) “O futuro será marcado por empresas capazes de se adaptar rapidamente, aceder a talento independentemente da sua localização e disponibilizar espaços profissionais às suas equipas onde quer que estes sejam necessários. A IA tornará a criatividade, o discernimento e a capacidade de adaptação ainda mais valiosos, e os espaços de trabalho flexíveis dão às empresas a agilidade necessária para responder a essa transformação”.