Os retail parks são o formato comercial que concentra atualmente o maior potencial de crescimento no mercado de retalho português, destaca o relatório Retail Market Outlook 2026, da Savills. Comparando com um mercado de centros comerciais maduro e com uma oferta consolidada um pouco por todo o território nacional, no caso dos retail parks a densidade da Área Bruta Locável (ABL) é de apenas 63 m² por cada 1.000 habitantes, abaixo da média europeia de 93 m², prevendo-se que esse gap se deverá manter mesmo com os projetos já em pipeline para os próximos anos.
“Nos próximos meses, a escassez de oferta nova deverá continuar a pressionar os investidores e operadores a disputar os ativos de melhor qualidade, o que só reforça o interesse pelos centros comerciais dominantes e acelera a procura por retail parks fora dos grandes centros urbano. É nesse contexto que vemos os operadores manterem-se otimistas quanto aos seus planos de expansão, apostando em localizações que combinem visibilidade e eficiência”, comenta Pedro Paixão, Associate Director, Coordinator Leasing Shopping Centres da Savills Portugal.
Desta forma, a Savills acredita que o crescimento futuro do retalho português poderá concentrar-se precisamente nos retail parks, apontado como o formato que ainda tem mais espaço para crescer. E, aponta a consultora, tal dinâmica já é visível no ritmo de aberturas, com 342 novas lojas a abrir portas em centros comerciais e retail parks ao longo de 2025, das quais 57% nos setores de mpda e restauração.
Em 2026 esse número já ronda 80 com a Savills a realçar a abertura do Retail Park Batalha e do Retail Park do Alentejo, em Beja, ambos promovidos pelo Grupo JOM e que, juntos, somaram 21.000 m². Além disso, todos os projetos atualmente em desenvolvimento são neste formato, com mais de 60.000 m² de nova ABL em pipeline e outros 9.000 m² de expansões previstas para os próximos anos, incluindo entre eles projetos como o Retail Park dos Açores, em Ponta Delgada.
“O mercado de retalho português entra numa nova fase de crescimento, caracterizada pelo redimensionamento das áreas ocupadas pelas marcas nos centros comerciais existentes, com proprietários a reinvestirem nos próprios ativos. Os retail parks reforçam esta dinâmica através do pipeline de nova oferta e assumem um papel estratégico ao combinarem conveniência, acessibilidade e eficiência operacional. Acreditamos que este formato continuará a atrair investimento e a liderar a expansão do retalho em Portugal nos próximos anos, o que reforça a sua relevância para as marcas e para os consumidores.”, conclui patrícia Matias, diretora de Retail Services da Savills Iberia.