Comprar casa é uma das decisões financeiras mais importantes das famílias, e, foi a partir deste ponto de partida que João Luís Carvalho, arquiteto, e João Cunha, engenheiro civil, criaram a BLEPO, uma empresa portuguesa que pretende democratizar o acesso ao diagnóstico técnico de imóveis.
Os dois fundadores trabalharam juntos durante 12 anos na Melom, onde conheceram melhor o setor imobiliário. De acordo com João Carvalho, rapidamente chegaram a uma conclusão: "se até alguém com experiência no setor tinha dificuldade em identificar todos os riscos de um imóvel, o problema seria ainda maior para quem não tem formação técnica”. A partir daí nasceu a pergunta que deu origem à BLEPO, uma forma simples de colocar um arquiteto ou engenheiro do lado de quem compra?
Diagnóstico técnico do lado do consumidor
De acordo com os responsáveis, existem serviços de due diligence imobiliária, no entanto, estão normalmente associados a investidores profissionais, fundos, banca e grandes operações, com uma abordagem altamente técnica.
Os fundadores quiseram adaptar esta lógica ao consumidor comum, através de uma solução que transforma a informação técnica numa camada simples, padronizada e compreensível.
A BLEPO disponibiliza atualmente cinco tipos de diagnóstico, com diferentes níveis de profundidade, o que pretende dar ao comprador informação suficiente para perceber o que está a adquirir e quais os riscos envolvidos, - sem que tenha de dominar conceitos de engenharia ou de arquitetura.
Avaliar o risco antes de comprar
Os fundadores apontam que a análise de um imóvel não deve limitar-se à identificação de problemas como infiltrações ou fissuras - a avaliação deve considerar também os riscos associados ao edifício e à sua localização.
Para a BLEPO, a pergunta que deve passar a fazer parte da decisão de compra é: qual é o risco desta casa? A análise considera o risco ambiental, o risco do edifício e o risco da fração, além dos fatores associados à localização do imóvel.
A ambição dos responsáveis é que uma inspeção técnica antes da compra se torne tão habitual como uma avaliação bancária e que a informação chegue ao comprador,. de acordo com João Cunha, "antes da escritura, e não depois da primeira infiltração, da primeira obra inesperada ou da próxima tempestade”.
Inspeções a partir de 600 euros
Na fase beta, a Inspeção Técnica, produto de referência da BLEPO, tem um custo de 600 euros, cerca de 0,25% do valor médio de uma transação imobiliária. O objetivo é identificar problemas que podem representar milhares ou dezenas de milhares de euros em custos futuros.
A empresa desenvolveu uma plataforma que estrutura e padroniza o trabalho de inspeção através de um workflow, permitindo replicar a metodologia através de uma rede de arquitetos e engenheiros independentes.
A tecnologia e a Inteligência Artificial são também utilizadas para permitir a expansão do modelo. Atualmente, a BLEPO opera na Grande Lisboa e tem capacidade para cerca de 500 inspeções por mês.
O plano passa pela expansão para o Porto, pela cobertura nacional num prazo de 24 meses e pela entrada em Espanha no início do terceiro ano. A empresa aponta ainda para uma meta de 5 milhões de euros de faturação em três anos.
Os responsáveis, “não querem apenas criar um novo serviço imobiliário”, mas sim “mudar a relação de poder e de informação numa das maiores decisões financeiras das famílias”.