Com longa experiência internacional no desenvolvimento de grandes projetos urbanísticos, a arquiteta Patrícia Lima, CEO da ARC IDC, é perentória: “Portugal oferece uma combinação única de fatores” para investir no imobiliário. Dando o pontapé de saída à programação oficial do stand da Grande Lisboa no MIPIM, a especialista partilhou a sua visão de mercado, sublinhando que “o posicionamento da marca, a estratégia do produto e a flexibilidade, para mitigar o risco, através de um masterplanning estratégico, são cada vez mais centrais para o sucesso de um projeto imobiliário, pois a localização, per si, já não é suficiente”. Requisitos que, diz, são cumpridos por todos os grandes projetos de masterplanning, como os desenvolvidos pela ARC na Arábia Saudita, e que a CEO deu a conhecer no MIPIM. “O mundo está a mudar a um ritmo diário. Por isso, se não desenharmos tendo em vista a flexibilização, ficaremos presos no passado. Portugal está a atrair investimento imobiliário de todo o mundo e isso pressiona os projetos a investir fortemente em design estratégico”, afirmou. Como tal, “a nossa experiência internacional no desenvolvimento de grandes projetos de master-planning pode acrescentar valor ao mercado português”, argumenta.
Região quer atrair mais investidores com propósito
As oportunidades estratégicas existentes no município de Loures estiveram em destaque logo ao início da tarde, numa apresentação conduzida pelo vereador do urbanismo, Nuno Dias. Hasteando a mobilidade enquanto elemento central para o desenvolvimento daquele território que, a par com a estreita proximidade à capital conta também com “uma frente ribeirinha estratégica”. Argumentos que são cada vez mais valorizados pela população e pelos investidores, abrindo espaço ao desenvolvimento de várias novas centralidades residenciais que se traduzem no investimento de centenas de milhões de euros no desenvolvimento imobiliário do concelho.
Com uma visão clara de futuro, Nuno Dias disse ainda que “queremos captar investidores que não só venham investir e desenvolver riqueza, mas que olhem adiante e apostem verdadeiramente no desenvolvimento sustentável de Loures”.
Um dos mercados mais atrativos do sul da Europa
Com cinco projetos em carteira no país, dois dos quais às portas de Lisboa, na perspetiva da Panattoni, “Portugal é um mercado muito interessante para nós”, tanto que, “ainda recentemente fechámos a nossa quinta aquisição”, realçou Arantxa Prado. Convidada para uma Investors Talk onde os investidores internacionais partilharam, na primeira pessoa, a sua experiência no mercado português, a Senior Director Capital Markets da promotora internacional especializada em desenvolvimento industrial e logístico revelou “neste momento, vejo Lisboa como um mercado muito mais atrativo do que outros concorrentes na Ibéria”, não obstante os desafios que continua a apresentar no que se refere à complexidade e morosidade do licenciamento e à baixa disponibilidade de terrenos para promoção. Tanto que o plano da gigante global é, precisamente, não só continuar a reforçar o investimento no nosso país, como diversifica-lo. “Na logística, estamos focados essencialmente nas regiões de Lisboa e Porto; mas nesta fase estamos também a olhar atentamente para eventuais oportunidades para entrar no setor dos data centres. Gostamos muito de Portugal!”.
Este parece ser também o caminho da AM Alpha, o family office alemão que nos últimos anos tem vindo a protagonizar vários investimentos no nosso país, em especial nos setores de escritórios e retalho. Lisboa continua a ser um destino fantástico onde as empresas e as pessoas se querem instalar. E isto, por si só, é uma grande oportunidade”, considera Rafael Macia, head of Iberia da AM Alpha, revelando que “gostaríamos muito de investir no setor do Built-to-Rent em Portugal”.
“O panorama do investimento imobiliário em Portugal mudou radicalmente nos últimos anos”, comentou o managing partner da B.Prime, Jorge Bota. “Na Europa, os diferentes mercados não estão a funcionar exatamente da mesma forma e ao mesmo tempo, e por isso é muito importante podermos explicar aos investidores as boas oportunidades que continuamos a ter em praticamente todos os setores. P Por exemplo, há quatro ou cinco anos ninguém queria ouvir falar de retalho, no último par de anos isso mudou radicalmente; tal como hoje os escritórios oferecem muito boas oportunidades por cá, o que a priori pode ser mais difícil de compreender para players que vêm do norte da Europa”.
Escritórios que, aliás, são uma das pelas centrais do projeto Entrecampos, a nova centralidade que está a nascer em Lisboa, pela mão da Fidelidade Property, e que foi um dos grandes projetos apresentados na tarde de dia 11, por Michael Purefoy, da Fosun Europe. “Vamos redefinir o mercado de escritórios de Lisboa”, promete o responsável, adiantando que o primeiro edifício, que vai albergar a sede europeia da Fidelidade Property, está a apenas semanas de ficar concluído. “Entrecampos materializa a nossa visão para o futuro da cidade, e juntámos um grupo de arquitectos de renome mundial para a desenhar. É um projeto que não só vem redefinir o CBD de escritórios de Lisboa, mas que vem também criar um novo bairro residencial e oferecer uma nova oferta de comércio de rua com curadoria”. O objetivo é que fique concluído no final de 2028, destacando-se ainda como o primeiro bairro da Europa continental com certificação Wirescore e o primeiro em Portugal a exibir o selo LEED Gold.
Cada vez mais internacional, a região de Lisboa é hoje também um território fértil para quem investe em Hospitality, um setor em amadurecimento e que, aliás, vive um momento de grande dinamismo, como explicou o managing partner da Horwath Portugal, José Gil Duarte, na última Investors Talk do dia, que reuniu também à mesa de debate a arquiteta Margarida Caldeira, Chair EMEA da Broadway Malyan, e Pedro Seabra, managing partner da Refundos Explorer.