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Famílias precisam de 11 anos de salários para comprar uma casa em Portugal

Felipe Ribeiro |
Famílias precisam de 11 anos de salários para comprar uma casa em Portugal

O cenário é evidente: os preços têm acelerado nos últimos anos, porém os rendimentos das famílias não têm acompanhado essa aceleração – o preço da habitação e o rendimento líquido das famílias evoluíram a velocidades diferentes. É o que revela estudo da OCDE “Tributação da habitação nos países da OCDE”, citado pelo Eco: os portugueses precisam do equivalente a 11,4 anos de salários para conseguir comprar uma casa com 100 metros quadrados. A evolução média dos preços da habitação na OCDE foi de 13%, entre o final de 2019 e o final de 2021.

Em 2020, em território português, um agregado familiar precisava do equivalente a 11,4 anos de salários para comprar uma casa de 100 metros quadrados, praticamente o mesmo que precisavam em 2000 (11,3 anos). Portugal situa-se assim à frente de países como os Estados Unidos (4,1 anos de salários), Noruega (7,8 anos), Reino Unido (11 anos) ou Suécia (11,2 anos). Suíça (12,6 anos), França (12,8 anos), Luxemburgo (15,8 anos) ou Nova Zelândia (18,7 anos), situam-se atrás de Portugal.

De acordo com a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, o aumento do peso médio das despesas relacionadas com a habitação nas despesas gerais das famílias em toda a OCDE, é evidente entre os anos de 2005 e 2015. Assim sendo, famílias de baixos rendimentos são as mais prejudicadas com este aumento do preço das casas, contribuindo assim para «uma crescente divisão económica entre as famílias», refere a organização, citada pelo Eco.

A OCDE acrescenta ainda no estudo que, em 2020, a pandemia contribuiu para a aceleração dos preços das casas, sendo que 11 países viram crescimentos acima dos 15%, enquanto seis países tiveram aumentos inferiores a 5%, «o crescimento dos preços das casas ficou acima da tendência pré-pandemia em quase todos os países, o que indica que os preços estão agora mais altos do que provavelmente estariam se a pandemia não tivesse ocorrido», refere a organização.