Construção

“Economia Verde” tem de estar na base do imobiliário de hoje

Ana Tavares |
“Economia Verde” tem de estar na base do imobiliário de hoje

O painel “Imobiliário Green e Imobiliário Next Generation: As implicações das novas realidades europeias no Imobiliário”, que decorreu durante o SIL Investment Pro, a 8 de outubro, quis chamar a atenção para isso mesmo. Na sua apresentação, Miguel de Castro Neto, da NOVA IMS, alertou que «estes diplomas já fazem parte das políticas públicas da UE. No quadro europeu que se aproxima, temos uma forte presença da dimensão imobiliária e de construção. Isto só poderá ser alcançado se tivermos um trabalho colaborativo entre todos os agentes do setor».

Hugo Santos Ferreira, Vice-Presidente Executivo da APPII, coorganizadora do SIL Investment Pro, destacou na ocasião que «quem faz projetos agora tem de ter estes diplomas em conta, baseados em economias circulares, limpas e verdes. É destes diplomas que vão emanar as políticas públicas, tendo em conta o aumento da eficiência energética, da utilização de recursos e a redução da pegada de carbono».

Dando o exemplo, o IHRU já está a aplicar alguns destes princípios ao seu património, como a reabilitação energética do parque habitacional, garante Luís Maria Gonçalves, administrador do IHRU, que participava nesta mesa redonda. «Já lançámos um conjunto de concursos de conceção procurando resposta para novas soluções que permitam melhorar o desempenho de edifícios de habitação para a classe média, como o já lançado em Almada ou o que vai ser lançado em Setúbal. Queremos que o Estado use muito melhor o solo que tem, para responder às necessidades crescentes de habitação».

Esta é também uma preocupação do RICS, que já foi «convidado pelo governo francês para apresentar propostas concretas para a sustentabilidade do imobiliário, que possam ser implementadas enquanto medidas públicas», afirma José Covas, do RICS Portugal, que, garante, «está a dar cartas ao nível do RICS internacional. Lideramos o grupo que trata dos temas da construção sustentável a nível europeu, e criamos o organismo World Building Environment Forum, uma plataforma que segue uma série de regras de sustentabilidade». Acredita que «precisamos de ter uma plataforma legal e fiscal» para tratar estes temas.

 

Conta da sustentabilidade nem sempre é fácil

«Nem sempre é fácil fechar a conta» do imobiliário mais sustentável, admite Gilberto Jordan, do Grupo André Jordan. «O maior desafio não é convencer os promotores destas preocupações, mas sim o público em geral de que tem de pagar mais». Está convicto de que «uma das formas é a obrigatoriedade». E alerta que «o problema para os promotores mais avançados é que a concorrência não o faz, e tem preços mais baixos. É fácil fazer “greenwashing”. É preciso ter know how desde o início do projeto. Nós tentamos estar sempre no limiar da inovação».

E exemplifica que «os custos são muito visíveis, por exemplo nas janelas, com uma certificação energética mais alta. Precisamos de pagar esse preço para o nosso futuro climático. Temos de nos lembrar que os nossos filhos vão viver até 2100».

A ANFAJE tem vindo a trabalhar nesse sentido. O Presidente, João Gomes, explica que «a nossa missão em Portugal tem sido que o nosso produto seja percebido por todo o mercado como fundamental para a melhoria do conforto das habitações. Temos vindo a desenvolver uma série de ações para tal, e temos hoje uma etiquetagem energética gerida pela ADENE e lançada pela ANFAJE que é única na Europa».

E faz um apelo: «Portugal tem de ser ambicioso com a “green wave” e os fundos que vêm da Europa para a eficiência energética. Temos aqui um grande percurso a fazer para que Portugal possa dar o salto qualitativo». E considera que «é fundamental ter em consideração que o isolamento acústico tem de estar associado à eficiência energética e ao conforto», uma preocupação pouco tida em conta na «maior parte dos investimentos imobiliários», considera.

Estas inovações também já fazem parte do dia-a-dia da Casais. Paulo Carapuça, Administrador Executivo, comentou na ocasião que a empresa tem «a preocupação de não produzir o resíduo da construção, criamos uma fábrica de paredes infraestruturadas para isso», exemplifica. «As soluções estão encontradas, temos de implementá-las. O processo é sempre muito tímido, mas vamos ter uma limitação dos recursos no futuro, e teremos de implementá-las», acredita.

Também a Vanguard Properties tem a sustentabilidade «no seu ADN», diz José Cardoso Botelho. «Estamos muito focados em desenvolver um produto de exceção e com classificação BREEAM».