A riqueza líquida das famílias, ou seja, o valor do património depois de deduzidas as dívidas, aumentou 480 mil milhões de euros e quinze anos, fixando-se em 1.196 mil milhões de euros no final de 2025, segundo os dados divulgados pelo BdP, frisando que tal crescimento deveu-se sobretudo à valorização dos imóveis e dos ativos financeiros.
Entre 2010 e 2025, o valor dos imóveis residenciais aumentou quase 50%, de 473 para 708 mil milhões de euros, em linha com a evolução registada nas contas nacionais. O BdP atribui esta subida sobretudo à valorização do imobiliário ao longo do período. Ainda assim, o peso das casas nos ativos das famílias diminuiu de 54% para 52%, à medida que outras componentes do património ganharam importância relativa.
Depois dos imóveis, destacam-se as participações em capital (incluindo em empresas familiares) e os depósitos. Cada uma destas componentes representava 19% do total dos ativos em 2025, contra 14% e 16%, respetivamente, em 2010.
Os restantes ativos pesavam 10% em 2025, face a 16% em 2010. Incluem títulos de dívida, unidades de participação em fundos de investimento, direitos associados a seguros de vida e anuidades, bem como ativos não financeiros, como maquinaria, equipamentos e imóveis não residenciais ou utilizados na atividade empresarial.
Peso das casas é menor nas famílias mais ricas
O BdP sublinha ainda que a composição do património varia consoante o nível de riqueza. E, embora os imóveis predominem em todos os grupos, têm menos peso nos de maior riqueza: em 2025, representavam 74% dos ativos das famílias com riqueza líquida abaixo da mediana e menos de 40% dos ativos dos 10% de famílias mais ricas.
Entre estas últimas, as participações em capital são mais relevantes e correspondem a 28% do total dos ativos.
Riqueza estável em percentagem do PIB
A riqueza líquida das famílias atingiu o valor mais baixo em 2013, com 656 mil milhões de euros, num período marcado pela crise financeira internacional e pela crise das dívidas soberanas na Europa. Desde então, retomou a trajetória de crescimento, influenciada sobretudo pela valorização dos ativos.
Em percentagem do PIB, manteve-se relativamente estável nos últimos 15 anos. Em 2025, correspondia a cerca de 390% do PIB, menos dez pontos percentuais do que em 2010. O máximo foi alcançado em 2020, com cerca de 433%, o que o BdP associa sobretudo à redução da atividade económica durante a pandemia. Apesar do aumento expressivo em termos nominais, a riqueza das famílias evoluiu, em larga medida, em linha com a economia.
Crédito à habitação domina o endividamento
Do lado das dívidas, o crédito à habitação representava 77% do total dos passivos das famílias em 2025, face a 82% em 2010. Os empréstimos com outras finalidades subiram de 18% para 23% no mesmo período.
Imagem: ClickerHappy via Pixabay