Cabos submarinos potenciam investimento superior a 10.000 milhões

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O investimento na infraestrutura de cabos submarinos em Portugal está a crescer e poderá atrair mais de 10.300 milhões de euros em investimentos tecnológicos e digitais nos próximos anos. A estimativa é de um estudo da AmCham Portugal, elaborado pela PwC.

Portugal é um ponto estratégico no que toca à ligação de cabos submarinos entre a Europa, África e América. “Temos uma posição geoestratégica privilegiada na rede global de cabos submarinos. Cerca de 15 a 20% dos cabos submarinos passam atualmente na nossa zona de soberania e a tendência é para aumentar nos próximos anos. Temos em Portugal vários fatores de atratividade para a amarração de cabos submarinos. Desde logo, a nossa posição geoestratégica privilegiada e ligação direta a todos os continentes”, nota Luís Bernardino, presidente do Observatório dos Ecossistemas Digitais, ao Jornal Económico.

Até ao final deste ano o país deverá contar com 20 cabos submarinos na sua costa, num investimento direto que ronda os 200 milhões de euros. Destaque para o EllaLink, Equiano, Medusa, 2Africa, Nuvem, New CAM Ring e Olisipo. O mais recente a chegar foi o Nuvem, da Google, o primeiro a estabelecer uma ligação direta entre os Estados Unidos e Portugal. Já o projeto Sol vai ligar a Florida a Santander, com passagem pela ilha de São Miguel, nos Açores. Também a Meta e outras tecnológicas norte-americanas têm manifestado o seu interesse junto da Anacom sobre a possibilidade de instalar mais cabos submarinos em Portugal.

Com o advento da inteligência artificial, gigantes como a Meta, a Google ou a Amazon correm para desenvolver modelos de IA que exigem grandes capacidades de computação e ligação entre os vários centros de dados. As empresas afirmam que a conectividade por cabos submarinos é necessária para responder à crescente procura dos clientes pelos seus serviços de cloud e IA em todo o mundo, bem como para responder às necessidades futuras. Um dos investimentos mais significativos será feito no 2Africa, um cabo da Meta como parte de um consórcio, que liga 3 continentes e custou mais de 1.000 milhões de euros.

Estes são apenas alguns exemplos. O impacto económico deverá ser significativo para o país, que se afirma entre os principais hubs de conectividade. Samuel Carvalho, CEO da TelCables Europe, subsidiária europeia da Angola Cables, afirma ao jornal que “Portugal consolidou-se como o centro gravitacional da conectividade atlântica. O país beneficia de uma localização geográfica estratégica de convergência entre América do Sul, América do Norte, África e Médio Oriente, aliada a uma rede de fibra madura e abundância de energia limpa para acolher Mega Data Centers de IA”.

O setor dos centros de dados e infraestruturas digitais poderá ter um impacto positivo de 3.700 milhões de euros no PIB nacional até 2031, de acordo com um estudo feito pela Portugal DC - Associação Portuguesa de Data Centers em parceria com a consultora neerlandesa Pb7 Research, até porque Portugal já está a ser considerado pelos operadores internacionais de cloud e de inteligência artificial (IA) como uma alternativa competitiva aos mercados saturados da Europa do Norte e Central.

Data centers impulsionam investimento e interesse de Portugal

O investimento no setor industrial e logístico tem vindo a crescer em Portugal, devido à crescente atividade dos data centers. A Dils destaca, por exemplo, a transação do data center da Covilhã, que se realizou no primeiro trimestre deste ano.

O país conta agora com mais de 2,6 GW de capacidade de TI planeada sendo que só Lisboa representa 1.389 MW de TI, um aumento significativo face aos 373 MW de TI registados apenas um ano antes, contabiliza a Colliers. Isto graças à entrada em funcionamento do LIS001, o primeiro centro de dados da AtlasEdge na cidade. No entanto, a mudança mais significativa ocorreu no pipeline de desenvolvimento, onde o interesse dos investidores acelerou a um ritmo “sem precedentes”.

Destaque também para a Merlin Edged, que anunciou até 1.300 MW de TI de capacidade total planeada na região de Lisboa, posicionando a sua plataforma como candidata a acolher uma das futuras gigafábricas de IA da União Europeia, em parceria com o Governo português. A empresa tem atualmente 80 MW de TI em construção, com entrada em funcionamento prevista até ao quarto trimestre de 2027, e mais 100 MW de TI já assegurados.

Por outro lado, a AtlasEdge garantiu 253 milhões de euros em financiamento verde para expandir o seu campus em Lisboa até aos 30 MW de TI, enquanto a Digital Realty entrou no mercado português através da aquisição de uma instalação com 2,4 MW de TI, localizada junto às estações de amarração de cabos submarinos em Carcavelos, com entrada em funcionamento prevista para 2027. Assim, a capital posiciona-se como um mercado emergente e alternativa credível para infraestruturas de grande escala na Europa.

À medida que os investimentos e a tecnologia avançam, de acordo com o relatório “European Lender Intentions Survey 2026”, da CBRE, apesar de os data centers continuarem a ser uma primeira escolha apenas para uma franja restrita de investidores, o sentimento geral em relação a esta classe de ativos fortaleceu-se, com uma subida significativa nos rácios de LTV (empréstimo/valor) reportados para novos empréstimos, em comparação com o ano passado.