O relatório “Future Flows: Global Dynamics & European Industrial Real Estate”, da consultora, conclui que esta procura deverá transformar o mercado industrial europeu. Mais de metade (54%) das iniciativas destina-se a novas instalações, das quais 36% são projetos de construção nova e 17% correspondem à aquisição, arrendamento ou reconversão de edifícios existentes. Os restantes 46% dizem respeito à expansão de unidades industriais já existentes.
De acordo com o estudo, as instalações mais procuradas têm entre 10.000 m² e 25.000 m², sendo a área média das novas unidades de cerca de 20.000 m². Embora alguns ocupantes exijam condições de segurança específicas ou adaptações operacionais, muitos estão a ocupar instalações industriais convencionais e a adaptá-las à produção para o setor.
Refletindo o seu posicionamento como maiores mercados europeus de produção em defesa, o Reino Unido, a Alemanha e a França concentram o maior número de investimentos. Foi também registada atividade significativa em Espanha, Itália, Suécia, Turquia, Bélgica e Países Baixos. Liderada pela Polónia, a Europa Central e de Leste afirma-se ainda como destino importante de investimento produtivo, sobretudo em artilharia e munições, entre outros.
Embora o nosso país tenha ainda um peso reduzido na análise, a Cushman & Wakefield nota que “os sinais no mercado português apontam na mesma direção”. Entre os exemplos, está o investimento na revitalização do Arsenal do Alfeite, em Almada, que irá reforçar a capacidade nacional de manutenção e modernização naval, e a futura fábrica de drones anunciada pela Keydef e pela Flying Wedge Defence and Aerospace, que planeia usar Portugal como plataforma de produção para os mercados europeu e da NATO.
“Embora algumas atividades ligadas à Defesa exijam instalações específicas, grande parte da procura pode ser acomodada em ativos industriais e logísticos convencionais, abrindo oportunidades tanto para novos projetos como para a requalificação e reposicionamento de espaços existentes. Em Portugal, esta poderá tornar-se uma nova fonte de procura para o setor industrial e logístico, com potencial para atrair investimento e gerar emprego qualificado”, comenta Sérgio Nunes, Head of Industrial & Logistics da Cushman & Wakefield em Portugal.
Numa escala sem precedentes na Europa há várias décadas, a despesa em defesa projetada na União Europeia deverá aumentar de 419 mil milhões de euros em 2025 para 547 mil milhões em 2029, devendo a despesa em equipamento entre 2026 e 2029 superar o total da década anterior. Face a estes números, a Cushman & Wakefield antevê que a procura por espaço industrial associada ao setor continuará a ser uma tendência estrutural de crescimento no mercado logístico e industrial europeu.
Imagem por DC Studio para Magnifique