Lisboa “tem o que é necessário” para se comparar a Milão ou Amesterdão

Ana Tavares |
Lisboa “tem o que é necessário” para se comparar a Milão ou Amesterdão

 

A opinião é de Eduardo Abreu, sócio da Neoturis, que falava durante a Semana da Reabilitação Urbana de Lisboa na última 6ª feira, na conferência “Lisboa na competição das cidades internacionais”. Segundo este especialista, a subida no preço médio é necessária, «mas também já estamos à frente de Madrid, Viena, Praga ou Budapeste. Estamos na 2ª divisão das cidades europeias, se excluirmos Paris ou Londres». No entanto, «precisamos de captar bandeiras hoteleiras de luxo, que conseguem fazer os preços subir».

O interesse está à porta, pois, relata, «recebemos telefonemas destas marcas que querem o edifício e a oportunidade», o que não acontecia há 10 anos, «e hoje é possível atrair para Lisboa este tipo de marcas. Mas precisamos de prédios de grande dimensão com mais de 10.000 m², se não a conta do Excel não bate certo. É quase impossível arranjar um ativo deste género».

Num contexto de «forte crescimento do turismo na cidade», e em que a procura turística «tem batido constantemente a oferta», acredita que «o termo de “Lisboa na moda” deve sair do glossário do turismo, não temos razão para pensar que o turismo não vai continuar a crescer na cidade, mas a um ritmo mais brando».

Para sustentar este crescimento saudável, Eduardo Abreu acredita que há que apostar no investimento em novas atrações turísticas, «elementos de novidade que façam as pessoas revisitar» o destino, ou um novo centro de congressos, além da urgência de um novo aeroporto, cuja falta está «a custar milhões e milhões de euros».

 

Sem reabilitação, não existe turismo, e sem turismo não se sustenta a reabilitação

O responsável realçou na ocasião que «sem reabilitação urbana não existe turismo, mas sem turismo não é fácil sustentar um processo de reabilitação como o que Lisboa está a assistir», em especial na frente ribeirinha da cidade.

«Graças ao turismo e à reabilitação temos hoje uma Lisboa melhor, com mais valor, mais riqueza e mais emprego», salientou Vítor Costa, presidente da Associação Turismo de Lisboa. Mas admite que «registam-se alguns problemas endémicos com os quais temos de lidar. A diferença hoje é que os recursos gerados pelo turismo criam novas condições para que estas políticas sejam aplicadas e os problemas resolvidos».

A «acessibilidade do destino» é fundamental para criar «um destino de 2,5 milhões, uma cidade de duas margens unidas pelo Tejo, nas quais a reabilitação e as zonas ribeirinhas tenham um papel ainda mais importante». Um novo patamar para o qual há que trabalhar «em estreita concertação com os agentes públicos e privados».