No ano passado, o volume de negócios do retalho cresceu 2,1% na União Europeia, face a 2024, abaixo do aumento de 3,3% do poder de compra médio per capita.
O estudo “European Retail in 2025 and 2026”, da NIQ Geomarketing, mostra que o poder de compra per capita subiu para 22.415 euros disponíveis para despesas como alimentação, compras de retalho, habitação, serviços, energia, pensões privadas, seguros, férias e mobilidade. A Polónia (8,8%), a Lituânia (8,3%), a Roménia (7,7%) e a Bulgária (7,3%) lideram as subidas.
Apesar deste crescimento, da inflação mais próxima da meta do Banco Central Europeu (2,5%) e da resiliência dos mercados de trabalho, em 2025 os consumidores continuaram cautelosos. Consequência dos efeitos da pandemia, da inflação persistente e das tensões geopolíticas, são mais atentos ao preço e valorizam a relação entre custo, qualidade, conveniência, funcionalidade e confiança nas marcas. A subida de apenas 2,1% do volume de negócios do retalho, que se segue a um aumento de 5,5% em 2023 e de 3% em 2024, reflete a normalização dos padrões de consumo depois da recuperação pós-pandemia, segundo a NIQ.
A Noruega (13,1%), a Lituânia (10,5%), a Suécia (8,9%), a Bulgária (8,2%) e a Eslováquia (8%) registaram os maiores aumentos do volume de negócios, mercados onde a subida dos salários e a melhoria do poder de compra impulsionaram o consumo.
Pelo contrário, os grandes mercados da Europa Ocidental tiveram uma performance mais fraca. O Reino Unido, por exemplo, registou uma descida de 0,6%.
“Gastar de forma diferente”
Philipp Willroth, líder do estudo da NIQ Geomarketing, aponta que a principal conclusão do relatório “não é que os europeus estejam a gastar menos, mas sim que estão a gastar de forma diferente. O volume de negócios do retalho continua a crescer, porém uma parcela cada vez maior do orçamento do consumidor está a ser destinada a serviços e experiências. Isto aponta para uma mudança estrutural nas prioridades de gastos em toda a Europa. O aumento do poder de compra não se traduz mais automaticamente em maiores gastos no retalho”.
O comércio a retalho diminuiu a sua participação no consumo privado total da UE em 2025, pelo quarto ano consecutivo, para 31,9%, já que os consumidores continuaram a canalizar uma maior parte do seu orçamento para serviços, viagens, lazer e hotelaria.
Na Croácia, o comércio a retalho tem a maior fatia do consumo privado, de 48,3%. Na Lituânia, esta percentagem é de 45,7%, na Alemanha de 22,2%.