Mobilidade e qualidade de vida são chave para um plano diretor inteligente

Ana Tavares |
Mobilidade e qualidade de vida são chave para um plano diretor inteligente

Este foi o tema principal da agenda da Semana da Reabilitação Urbana do Porto esta quarta-feira, com a conferência “Densidade Inteligente e Regeneração Urbana”, organizada em conjunto pela VI, pela APPII e pela Câmara Municipal do Porto.

«Estamos a passar da reabilitação dos edifícios para a regeneração das cidades, esse é o futuro dos centros urbanos», notou na abertura da conferência Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da APPII. O Porto é um ótimo exemplo, já que está atualmente em discussão e elaboração o novo Plano Diretor Municipal da cidade, que poderá ser finalizado já no próximo ano. «Estamos a falar da cidade que queremos em 2030», lembrou na ocasião Pedro Baganha, vereador do Urbanismo da CMP.

O plano em estudo prevê a recuperação demográfica da cidade, e a autarquia está apostada em «aumentar a massa populacional». As preocupações passam pelo impacto ambiental, pela expansão dos critérios morfológicos, um melhor equilíbrio funcional a nível de usos e tipos de edifícios, novas áreas urbanas e uma mudança no paradigma da mobilidade. Tudo com vista ao reforço da atratividade da cidade.

Entre as principais propostas estão, por exemplo, a criação de novos espaços verdes naturais, a restrição automóvel em algumas zonas, a criação de uma circular no centro da cidade ou de parques dissuasores, mais zonas para peões e bicicletas, entre outros.

Entre os principais desafios da densidade, acredita o autarca, estão a compatibilidade com os standards ambientais, a diversidade de usos para uma melhor qualidade de vida, e a compatibilização com a mobilidade.

 

Desmistificar a densidade, tendo a qualidade de vida como ponto de partida

A densidade urbana «vem com alguns fantasmas associados a excessos», destacou na sua intervenção Francisco Rocha Antunes, membro da direção do Urban Land Institute. «Não existe uma medida standard sobre densidade, e não se mede da mesma maneira em regiões diferentes».

No seu entender, uma boa densidade deve prever «usos mistos, ser controlada e planeada, promover a coesão das pessoas», nomeadamente através da «criação de mais espaços públicos, ou da introdução de flexibilidade nos planos».

Pedro Baganha concorda com «o medo associado à palavra “densidade”», e que há que aprender com os exemplos de má densidade. O maior argumento é o da fixação de pessoas, acredita.

A chave parece estar na “periequação” do PDM, já que «o objetivo das cidades não é densificar, mas sim melhorar a qualidade de vida das pessoas e das empresas», defende José Almeida Guerra, vice-presidente da APPII. Um fator crítico é a mobilidade, acredita.

Já José António Teixeira, presidente da RAR Imobiliária, também concorda que «a melhoria da qualidade de vida deve estar na equação», e os novos produtos devem ser colocados no mercado «numa lógica de equilíbrio. Todos os tipos de habitação e serviços devem coexistir para manter a cidade viva».

Neste âmbito, como principais oportunidades de investimento no Porto, os responsáveis apontam as zonas junto à Foz do Douro, as residências de estudantes, escritórios e habitação para a classe média.