O desequilíbrio entre a oferta e a procura, aliado ao aumento da taxa de esforço, faz-se sentir também no Norte do país.
De acordo com o relatório Norte Estrutura citado pelo Idealista/news, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N), a taxa de esforço estimada para a compra de uma habitação mediana com um salário médio atingiu 73,5% na região Norte, aproximando-se ou mesmo ultrapassando o rendimento disponível em municípios como o Porto, a Póvoa de Varzim e Espinho.
Segundo a CCDR-N, o desequilíbrio entre a oferta mobilizável e a procura, bem como a reduzida disponibilidade de habitações existentes, são os principais fatores responsáveis pela pressão sobre os preços da habitação na região.
Valor mediano de avaliação bancária aumenta 128% entre 2011 e 2025
Os dados revelam uma evolução expressiva nos últimos anos. Entre 2011 e 2025, o valor mediano da avaliação bancária aumentou 128%, tendo registado uma aceleração particularmente significativa no último ano, de 16,8%.
No ano passado, "o 'stock' habitacional do Norte atingiu cerca de 1,94 milhões de alojamentos, mais 13,2% do que em 2001, correspondendo a 1,35 alojamentos por agregado doméstico", dados que demonstram que a região não registava uma escassez global de habitação, mas que parte desse stock não estava disponível para o mercado de residência permanente.
De acordo com o documento, considerando apenas a oferta mobilizável, existiam cerca de 4,8% mais alojamentos disponíveis do que agregados, o que revela uma margem reduzida à escala regional.
A CCDR-Norte referiu: "Em 2024, na Área Metropolitana do Porto e no Cávado, existiam apenas cerca de 2% a 4% mais alojamentos disponíveis do que agregados, valores próximos de situações de saturação do mercado. Em contraste, nas sub-regiões de menor densidade populacional, a disponibilidade era bastante superior, com cerca de 12% a 13% mais alojamentos disponíveis do que agregados".
O boletim destaca ainda que o Norte se afirmou como "o principal polo da construção habitacional em Portugal", concentrando 47,1% dos fogos construídos no país entre 2015 e 2025. Ainda assim, o volume anual de nova construção manteve-se abaixo dos níveis registados na primeira década dos anos 2000.
Reabilitação cresceu 12,7% entre 2014 e 2025
No que diz respeito à reabilitação, o relatório aponta que esta continua a desempenhar um papel "residual" na mobilização do stock existente. Entre 2014 e 2025, as obras de requalificação cresceram apenas 12,7%, um valor bastante inferior ao da construção nova, que aumentou cerca de 170% no mesmo período.
Procura dominada por mobilidade residencial
Do lado da procura, "a dinâmica do mercado foi dominada pela mobilidade residencial" e, em 2024 e 2025, "anos de maior aceleração dos preços, o número de transações de alojamentos foi, respetivamente, 6,6 e 4,5 vezes superior à criação de novos agregados domésticos, o que evidencia que a procura resultou sobretudo de mudanças de habitação entre famílias já existentes".
Perante estes resultados, a CCDR considera que o reforço da oferta, "por si só, não é suficiente para mitigar as tensões existentes".