Stravillia e MOME desenvolvem modelo de cost-rental em Portugal

Stravillia e MOME desenvolvem modelo de cost-rental em Portugal
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A Stravillia e a MOME estão a desenvolver um modelo de cost-rental para Portugal, uma solução de arrendamento de longo prazo em que o valor das rendas é determinado pelos custos reais associados ao edifício, em vez dos preços praticados no mercado. O modelo combina desenvolvimento imobiliário, financiamento sustentável, eficiência dos edifícios e uma lógica de investimento de longo prazo.

A parceria junta a experiência da Stravillia nas áreas da sustentabilidade, financiamento e carbono ao conhecimento da MOME no desenvolvimento de projetos residenciais e pretende-se  adaptar ao contexto português a um modelo já utilizado em países como a Áustria e a Dinamarca.

Uma alternativa ao mercado tradicional

O modelo pretende criar uma alternativa entre a habitação promovida diretamente pelo Estado e o desenvolvimento privado para venda ou arrendamento a preços de mercado.

Nos modelos de cost-rental, os imóveis permanecem numa lógica de arrendamento de longo prazo e podem ser detidos e geridos por entidades sem fins lucrativos ou de lucro limitado, com o capital gerado a permanecer no modelo e contribuir para novas operações.

“Em Portugal habituámo-nos a discutir habitação como se só existissem duas hipóteses: ou o Estado constrói, ou o mercado vende”, afirmou Francisco Rocha Antunes, fundador e presidente executivo da MOME.

Portugal tem cerca de 2% do parque em arrendamento público

O projeto surge num contexto em que o peso da habitação em arrendamento público e sem fins lucrativos permanece reduzido em Portugal. Este segmento representa cerca de 2% do parque habitacional, face a aproximadamente 20% na Dinamarca, 24% na Áustria e 29% nos Países Baixos.

Segundo as empresas, os valores não correspondem diretamente à dimensão do cost-rental em cada país, mas evidenciam a diferença face a mercados onde os modelos de arrendamento fora do mercado têm maior expressão.

Sustentabilidade influencia os custos

Num modelo em que a renda acompanha os custos reais do imóvel, características como a eficiência energética, a durabilidade dos materiais e as necessidades de manutenção assumem maior importância.

A Stravillia será responsável pela análise da pegada de carbono dos edifícios ao longo do ciclo de vida e pela identificação de soluções de financiamento orientado para impacto.

De acordo com Francisco Neves, CEO da Stravillia, “Uma construção eficiente, com materiais duráveis e menores necessidades de manutenção, reduz os custos ao longo da vida do edifício e ajuda a manter as rendas mais acessíveis”.

Por sua vez, Thomas Pinto Basto, Diretor Executivo da Stravillia, afirmou que “O cost-rental não é uma questão de boa vontade, é uma questão de custo de capital”, destacando-se que o financiamento de longo prazo é outra das componentes centrais do modelo.

Primeiros projetos podem demorar pelo menos quatro anos

A iniciativa encontra-se ainda numa fase de construção do modelo e do respetivo enquadramento legal e financeiro. Numa primeira etapa, as empresas vão definir o modelo, estudar o enquadramento legal e estruturar o financiamento, seguindo-se o desenvolvimento dos projetos.

A MOME salienta que o cost-rental não constitui uma resposta imediata à atual procura de habitação: “Quem hoje procura casa não vai encontrar aqui uma resposta imediata, e prefiro dizê-lo com todas as letras", afirma Francisco Rocha Antunes. "Estamos a trabalhar num processo que leva o seu tempo. Primeiro o modelo e o enquadramento legal, depois o financiamento, e só depois as chaves. Estamos a falar de nunca menos de 4 anos. Prometer menos do que isso seria enganar as pessoas, e já houve promessas a mais neste país sobre habitação”, afirmou Francisco Rocha Antunes.

As duas empresas vão divulgar progressivamente os dados do modelo à medida que o trabalho avance, começando pela estrutura de financiamento e pelos pressupostos de cálculo de renda.