Habitação

Segmento médio é a grande oportunidade em 2020

Ana Tavares |
Segmento médio é a grande oportunidade em 2020

Este foi um dos principais temas abordados pelos especialistas que participaram na Convenção Anual Century 21 Ibéria, que se realizou a 6 e 7 de fevereiro, em Lisboa. Para Luís Lima, presidente da APEMIP, no mercado médio/baixo de habitação em Portugal «não teremos qualquer risco nos próximos 10 anos», mas admite que «ainda não temos oferta que as famílias possam pagar. Os proprietários portugueses não podem pensar que tudo vale petróleo e ouro, e o preço da construção também está demasiado caro. Precisamos de mais concorrência, é a única forma de os construtores baixarem os preços».

Por outro lado, identifica como setor de alto risco o mercado de segmento médio/alto: «já sabemos que vai haver excesso de oferta». Rejeitando um cenário de “bolha imobiliária”, prevê que haja «alguma desaceleração» este ano, e identifica «sinais perigosos em relação aos preços, que não vão subir até ao céu».

Luís Lima não vê o investimento estrangeiro como negativo, pelo contrário: «precisamos que os portugueses sintam que o investimento estrangeiro que chega a Portugal entra no bolso de todos. Se não fosse isso, estaríamos numa situação muito mais difícil hoje». E alerta para a necessidade de estabilidade legislativa: «o Governo tem de criar confiança, os investidores têm de saber as regras para os próximos 10 anos».

Por seu turno, Ricardo Sousa, CEO da Century 21, identifica que «o maior desafio do imobiliário são os custos de produção dos imóveis residenciais, sobretudo nos projetos de pequena escala, o que irá dificultar o trabalho dos promotores que querem disponibilizar oferta de imóveis residenciais para a classe média». Defende o debate público da industrialização da construção, e aponta que «a A falta de mão-de-obra, os elevados tempos de edificação, a subida dos custos de construção e a necessidade de reduzir o impacto de todo o ciclo da construção, de forma a assegurar a sustentabilidade ambiental, são apenas alguns dos fatores que estão a gerar uma mudança de mentalidade e a criar um novo paradigma». As maiores oportunidades, acredita, vão estar nas residências assistidas, nos imóveis com áreas mais pequenas, nas residências de estudantes, e na habitação nos concelhos vizinhos de Lisboa.

 

Mercado de hoje não é “nem nas cidades, nem para os ricos”

Um dos principais perigos para o setor imobiliário em 2020 é o nível de preços do mercado habitacional de Lisboa, demasiado alto, e que o torna «inacessível».

A ideia é apontada por Gonzalo Bernardos, economista e Diretor do Master de Consultoria Imobiliária da Universidade de Barcelona, que falava durante a Convenção, destacando que «é um mercado atualmente muito dependente dos clientes estrangeiros».

É necessário «criar casas baratas para os portugueses, é um mercado com histórico, de longa duração». E lembrou que «Portugal não é só Lisboa, Algarve ou Porto», e que a procura se está a espalhar para outras geografias que não estas. «Lisboa não tem mais grande margem de subida dos preços, mas as cidades secundárias sim». Por isso, acredita, a grande oportunidade do setor este ano não está «nem nas cidades, nem no produto para os ricos», conclui.

 

Foco na profissionalização da mediação

A profissionalização do setor da mediação imobiliária é uma das prioridades para 2020, especialmente para a APEMIP: «a mediação está a passar por uma fase de transformação. Precisamos de mais auto-regulação e formação».

«Daqui a 10 anos, o mediador tem de ser mais bem preparado. Hoje somos menos necessários, com tanta procura», afirma Luís Lima. Nesse sentido, «a APEMIP está a preparar há cerca de um ano um código deontológico dos consultores e mediadores imobiliários. É um compromisso que temos com o Governo. Ainda este mês vamos aprovar um conselho deontológico».

Por outro lado, avança à VI que «estamos a negociar com o instituto regulador delegação de poderes. Em breve a APEMIP, juntamente com a AICCOPN, estará presente nas lojas do Cidadão em Portugal. Vamos dar pequenos passos, para sermos parte da solução».