Rendas descem em Lisboa pela primeira vez em 3 anos

Ana Tavares |
Rendas descem em Lisboa pela primeira vez em 3 anos

Desde o 3º trimestre de 2016 que as rendas de habitação subiam de forma ininterrupta, com variações trimestrais muitas vezes acima dos 7%, recorda a Confidencial Imobiliário, que apurou estes dados no âmbito do seu Índice de Rendas Residenciais, que acompanha o comportamento do mercado desde 2010.

O sinal era de abrandamento em Lisboa desde o início de 2018, tendência que se tornou especialmente evidente ao longo do último ano, refletindo também o comportamento dos preços de venda de habitação na capital. No final de 2018, o IRR para Lisboa subia 2,5% face ao trimestre anterior, mas no ano passado as variações não chegaram a 1%.

Ricardo Guimarães, diretor da Ci, comenta que «a duração e intensidade do ciclo de subidas das rendas nos últimos três anos já fazia antecipar um abrandamento, que culmina agora na primeira descida em anos. Fica agora por perceber se este comportamento será uma situação isolada ou se terá continuidade».

A nota foi também de abrandamento no que diz respeito à variação homóloga, que registou os 2,2% no 3º trimestre. Só em 2014 se registaram variações homólogas semelhantes de 2,6%, altura em que o mercado começava a recuperar da crise e de uma descida acumulada de 19,3%. Segundo a Ci, a recuperação das rendas teria início em meados de 2013, mas só três anos mais tarde as rendas voltaram a posicionar-se nos níveis de 2010, iniciando então um período de fortes subidas quer trimestrais (aumento médio de 4,5%) quer homólogas (aumento médio de 17,3%). Atualmente, as rendas encontram-se mais de 44% acima dos níveis registados em 2010, numa recuperação de 78% face ao seu ponto mais baixo, em 2013.

De acordo com o mesmo responsável, «em espelho do comportamento dos preços, não se consegue antecipar, pois apesar da tendência de suavização da valorização do Índice de Preços Residenciais para Lisboa, os preços continuam a apresentar variações positivas em termos trimestrais, inclusivamente voltando ao patamar dos 3% nos dois últimos trimestres em análise, depois de descerem para 0,7% no início do ano».