Promoção Imobiliária

Promotores antecipam redução nas vendas e subida mais lenta dos preços

Felipe Ribeiro |
Promotores antecipam redução nas vendas e subida mais lenta dos preços

Os promotores imobiliários antecipam uma redução nas vendas e uma subida mais lenta dos preços das casas até ao final de 2022. É o que revelam os resultados do inquérito Portuguese Investment Property Survey, conduzido pela Confidencial Imobiliário e pela APPII: os promotores estão de facto «menos confiantes» quanto à evolução do mercado residencial para os próximos três meses.

O indicador de expectativas para os próximos três meses situa-se em -28 pontos, regressando a terreno negativo pela primeira vez desde o fim da pandemia, indicam os responsáveis pela análise, sublinhando que este resultado «reflete a degradação das expetativas relativas às vendas, cujo indicador passou de -17 pontos no inquérito anterior para os atuais -69 pontos». As expetativas relativamente à evolução dos preços até ao final deste ano estão «mais contidas, mas continuam em terreno positivo (de +40 pontos para os atuais +24), sinalizando uma perspetiva de clara desaceleração no ritmo de subida os últimos tempos».

Hugo Santos Ferreira, Presidente da APPII, frisa que «os promotores imobiliários estão preocupados com todos os fatores de aumento dos custos, que tornam cada vez mais difícil o lançamento de oferta para a classe média. Uma vez mais destaca-se o tempo de licenciamento das obras como sendo o principal obstáculo à atividade, com impactos muito relevantes na viabilidade das operações, em especial no quadro atual de aumentos dos custos de construção».

Apesar da conjuntura vigente, os promotores encaram o atual momento como conjuntural, mantendo um elevado ritmo de lançamento de novos projetos: 67% dos promotores refere ter novos projetos em carteira e 56% mostram-se ativos ou muito ativos na procura de novos terrenos. De acordo com o PIPS, há também uma alteração no perfil alvo dos projetos, retomando-se a maior apetência para os empreendimentos direcionados para os compradores internacionais: os promotores assinalam que 64% dos novos empreendimentos dirigem-se a um público internacional.

Este reposicionamento poderá ser a resposta dos promotores ao aumento persistente dos custos de construção, indicam os responsáveis pela análise – «há evidência de que os custos de construção em crescimento estão a começar a ser uma realidade normalizada pelos promotores, uma vez que o tempo de licenciamento e a burocracia voltaram a ser apontados como os obstáculos mais relevantes à atividade».

Por sua vez, Ricardo Guimarães, Diretor da Confidencial Imobiliário, realça que «um dos números mais relevantes neste survey é o aparente redirecionamento da promoção imobiliária para a procura internacional, depois deste mercado ter perdido quota no último par de anos. Trata-se de uma opção estratégica que permitirá aos promotores lançar obras dirigidas a segmentos mais caros, dessa forma conseguindo acomodar o aumento dos custos de construção, e para compradores com mais poder de compra, menos expostos à redução do poder de compra resultante do impacto da inflação e subida nos juros».