Promoção imobiliária cresce em Portugal

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Fotografia: Pexels

O mercado imobiliário em Portugal registou, em 2025, uma trajetória de expansão sustentada, impulsionada pelo aumento da oferta, condições financeiras mais favoráveis e incentivos governamentais. Segundo o relatório Market 360 da JLL, foram concluídas 34.910 novas habitações até ao terceiro trimestre, representando um crescimento de 22% face ao período homólogo. Este desempenho foi favorecido, entre outros fatores, pelo programa Simplex Urbanístico, que visa agilizar processos de licenciamento e promover eficiência no setor.

O segmento residencial confirmou o dinamismo do mercado, com o volume de transações a crescer 14% até ao terceiro trimestre, e um montante estimado em 40,8 mil milhões de euros para o ano completo. Lisboa registou preços médios de venda de 5.200 euros por metro quadrado, um aumento de 10% em termos anuais, enquanto o Porto atingiu os 3.700 euros por metro quadrado, mais 14% face a 2024.

O impulso veio também do mercado de crédito, que cresceu mais de 36%, totalizando 19,1 mil milhões de euros em novos empréstimos, com a taxa média de juro a descer para 3,18%, uma redução de 110 pontos base. A garantia pública para jovens compradores contribuiu significativamente, representando cerca de 5 mil milhões de euros em novos créditos, ou 27% do total nacional.

Apesar da subida da oferta, com licenças de construção a crescer 6% e conclusões de obra a aumentar 22% até ao terceiro trimestre, mantém-se um desequilíbrio estrutural entre oferta e procura, sobretudo no segmento de habitação acessível.

No âmbito da promoção e reabilitação urbana, 2025 ficou marcado por projetos de grande dimensão. No Porto, destaca-se o empreendimento residencial na zona do Amial, com 33.000 metros quadrados e investimento superior a 140 milhões de euros. Em Lisboa, entre os Olivais e o Parque das Nações, será construído um projeto com 42.000 metros quadrados e 460 novos apartamentos, representando um investimento de cerca de 200 milhões de euros. A maior parte do investimento (84%) concentrou-se em reabilitação urbana, refletindo uma estratégia de regeneração do edificado existente.

O mercado de arrendamento acompanha a tendência de valorização, com rendas médias mensais de 19 euros por metro quadrado em Lisboa e 15 euros no Porto. O segmento build-to-rent mostra potencial de crescimento, embora enfrente obstáculos fiscais e regulatórios. Começam a surgir também modelos alternativos, como o flex living e projetos municipais de habitação acessível.

Para 2026, perspetiva-se que o mercado residencial e de promoção e reabilitação urbana continue apoiado em fundamentos macroeconómicos sólidos e elevada procura estrutural, com interesse crescente de investidores institucionais. A escassez de produto adequado poderá impulsionar a valorização de ativos bem localizados e de qualidade.