Construção

Mota-Engil vende participação de 30%

Ana Tavares |
Mota-Engil vende participação de 30%

O processo estará em fase final de negociações. Este acordo prevê que a Mota Gestão e Participações SGPS, S.A. (MGP) venda uma participação do capital social da sociedade a «um preço que reflete uma valorização que está muito acima do preço atual do mercado», de 750 milhões de euros.  

Nos termos do mesmo acordo, o novo parceiro deverá estabelecer um acordo de parceria e investimento com o grupo Monta-Engil para desenvolver em conjunto oportunidades comerciais, e compromete-se também a subscrever uma participação relevante num aumento de capital social de até 100 milhões de novas ações que será submetido brevemente a deliberação em Assembleia Geral, pode ler-se no comunicado da empresa.

Depois deste aumento do capital social, «será imputável à MGP uma participação de cerca de 40% do capital social da Mota-Engil, sinal de total empenho e alinhamento com a sua posição histórica no grupo; e o novo acionista atingirá uma participação ligeiramente superior a 30%».

«Esta nova estrutura acionista e o quadro desta parceria, que se baseia na avaliação do GRUPO de cerca de €750 milhões, irá reforçar as capacidades financeiras, técnicas e comerciais do Grupo Mota-Engil, a fim de aumentar as suas atividades em todos os mercados e abrir novas oportunidades para novos desenvolvimentos», pode ainda ler-se.

No comunicado hoje enviado à CMVM, a Mota-Engil não identifica quem é o novo acionista mas, pela descrição da empresa, o Negócios acredita que se trata da China Communications Construction Company (CCCC), a quarta maior construtora do mundo, com a qual o grupo assinou uma parceria estratégica em abril de 2019, e com quem tem concorrido em consórcio a vários projetos.

 

Carteira de encomendas ronda os €5.500M

A Mota-Engil apresentou também esta semana os seus resultados do primeiro semestre de 2020, atingindo um recorde de carteira de encomendas de 5.500 milhões de euros, dando nota do impacto negativo da Covid-19 nos resultados em geral, «sobretudo em África e na América Latina».

No período em análise, o volume de negócios da empresa atingiu os 1.157 milhões de euros, uma redução de 14%. O EBITDA atingiu os 144 milhões de euros, com margem de 12%.

Já o resultado líquido foi de -5 milhões de euros. E o impacto da pandemia é contabilizado em 280 milhões de euros no volume de negócios, e em 45 milhões no EBITDA.