Os dados constam do mais recente Spotlight Industrial & Logistics Market da Savills: Portugal registou, no 1º semestre, 229.973 m² de ocupação no mercado industrial e logístico, um crescimento de 2% face ao período homólogo.
O segundo trimestre concentrou 160.866 m², mais do dobro dos 69.107 m² registados nos primeiros três meses do ano. A região da Grande Lisboa respondeu por 76% do total nacional, e o Grande Porto registou uma ocupação de 55.190 m². A logística concentrou a maior parte da procura total, com 73%.
De acordo com o estudo, estes mercados continuam condicionados face à reduzida disponibilidade de ativos de qualidade para arrendamento, numa altura e contexto em que, a par da habitação, estes setores também apontam para uma procura sólida e superior à oferta existente.
Alexandra Gomes, Head of Research da Savills Portugal, afirmou: “A procura continua claramente acima da oferta disponível, tornando a disponibilidade de produto de qualidade o principal fator condicionante da ocupação. Com mais de metade do pipeline da Grande Lisboa já comprometido antes da conclusão, antecipamos uma pressão crescente sobre as rendas prime e um reforço das soluções build-to-suit e de pré-arrendamento, à medida que as opções para os ocupantes se tornam cada vez mais escassas".
Grande Lisboa registou 174.783 m² de área transacionada
A logística reforçou o seu protagonismo na região, com um crescimento superior a 14% em termos homólogos, passando a representar 75% de toda a área ocupada.
Segundo a Savills, o mercado logístico da Grande Lisboa integra um stock de cerca de 3,5 milhões de m² e apresenta uma taxa de disponibilidade de apenas 1,8%, refletindo a forte pressão da procura sobre a oferta existente.
Os dados mais recentes sobre rendas prime, que não constam do Spotlight Industrial & Logistics Market da Savills e foram atualizados à data, mostram valores entre os 4,50 euros/m²/mês no eixo Palmela-Setúbal e os 7,25 euros/m²/mês no Corredor Oeste.
Castanheira-Azambuja, considerado o eixo prime logístico da região, concentra 33% do stock total e constitui a principal referência para grandes plataformas logísticas, com uma renda prime de 5,50 euros/m²/mês. Esta zona, a mais pressionada da região, regista disponibilidade nula e concentra cerca de 36% da procura ativa identificada.
O pipeline atualmente em desenvolvimento na Grande Lisboa para 2026 totaliza cerca de 400.000 m², dos quais mais de um terço já se encontra pré-arrendado ou com ocupação contratada.
Grande Porto registou descida na ocupação
O Grande Porto registou um volume de ocupação de 55.190 m² no primeiro semestre, 2% inferior período homólogo. O comunicado divulgado pela Savills aponta que ainda que os dados reflitam uma redução, não significam um abrandamento da procura, mas demonstram, antes, “as limitações impostas pela escassez de oferta disponível”.
A taxa de disponibilidade situou-se nos 0,5% de um parque logístico e industrial superior a 1,3 milhões de m².
A atividade do semestre esteve concentrada num número reduzido de transações de grande dimensão: Valongo destacou-se como o principal foco, com 36.885 m² contratados, (67% do total regional), resultado de duas operações de 12.500 m² cada no Panattoni Park Valongo.
A renda prime fixa-se nos 5,75 euros/m²/mês. Num mercado marcado pela inexistência de espaços de qualidade disponíveis para ocupação imediata, as atenções centram-se agora no pipeline previsto até 2027, que totaliza cerca de 69.000 m², dos quais 42% já se encontram pré-arrendados.
De acordo com Pedro Figueiras, Director, Head of Lisbon da Savills Portugal, “Portugal reúne hoje condições únicas para se afirmar como um dos principais mercados logísticos do sul da Europa. A combinação de taxas de disponibilidade historicamente baixas, a internacionalização crescente da economia, o reforço das exportações e uma posição geoestratégica privilegiada nas cadeias globais de abastecimento continua a atrair operadores nacionais e internacionais. Neste contexto, o desenvolvimento de nova oferta logística representa não apenas uma oportunidade imobiliária, mas uma necessidade para acompanhar a expansão da procura e aumentar a competitividade do país enquanto plataforma de distribuição e investimento.”