De acordo com estimativas da Capgemini citadas pela Savills, cerca de 72 biliões de dólares deverão passar diretamente para herdeiros, enquanto outros 12 biliões serão destinados a causas filantrópicas.
O relatório analisa o impacto desta transferência na geografia da riqueza e nas escolhas de localização de uma geração mais jovem, mais móvel e mais ligada digitalmente.
Para identificar os destinos com maior capacidade para captar estas fortunas, a Savills analisou mais de 100 localizações através do Next-Generation Wealth Hubs Index.
O índice avalia quatro áreas: negócios, governação e conectividade; concentração de riqueza e ambiente local; gestão de património e fiscalidade; e estilo de vida.
A análise centra-se na chamada “next-generation wealth”, que inclui pessoas com menos de 40 anos que já herdaram património significativo, estão prestes a beneficiar da transferência de riqueza ou construíram fortuna através do empreendedorismo.
A Savills destaca que, para esta geração, fatores como estilo de vida, educação, bem-estar e valores pessoais assumem uma importância crescente nas decisões sobre onde viver, investir e desenvolver negócios.
Portugal entra no top 30 da região EMEA
Portugal está representado entre as principais localizações da região EMEA através de Lisboa e Cascais.
Segundo a Savills, o país destaca-se pela qualidade de vida, restauração e comércio, além de apresentarem preços relativamente mais acessíveis face a outros centros europeus estabelecidos.
A procura internacional é também impulsionada por compradores e arrendatários da América Latina. Na Península Ibérica, o arrendamento de imóveis de gama alta permite ainda uma maior flexibilidade a clientes internacionais que dividem o seu tempo entre diferentes localizações.
De acordo com Rita Bueri, Head of Residential Lisboa da Savills Portugal, que acompanha de perto a procura internacional no mercado residencial português, “Lisboa e Cascais são há muito destinos de eleição para investidores com património elevado, ainda que de forma discreta. Nos últimos anos, a melhoria da oferta imobiliária, uma economia mais sólida, a estabilidade do país face aos focos de tensão geopolítica e a qualidade de vida têm feito de Portugal uma escolha cada vez mais frequente. Ainda temos trabalho a fazer, nomeadamente nos serviços e na simplificação de processos, para corresponder ao nível de exigência destes clientes. Por outro lado, a nossa escala reduzida é um trunfo: permite-nos oferecer exclusividade, num destino que se escolhe pela qualidade e não pela dimensão.”
Por sua vez, Kelcie Sellers conclui que “à medida que a riqueza atravessa fronteiras e gerações, o capital tende a tornar-se mais seletivo. A oferta de imóveis prontos a habitar e com todas as comodidades e serviços é limitada, e são estes que deverão manter-se mais resilientes em mercados que garantam estabilidade jurídica, qualidade de vida, privacidade e liquidez de longo prazo”. E acrescenta: “O imobiliário residencial tem hoje de ser mais do que uma forma de proteger património. Tem de responder à forma como as famílias com grandes fortunas querem viver, trabalhar, viajar, manter-se ligadas e planear o futuro.”