“O imobiliário português teve uma evolução imensa nos últimos 20 anos”

Susana Correia |
“O imobiliário português teve uma evolução imensa nos últimos 20 anos”

Uma das marcas mais reconhecidas na área da arquitetura a nível internacional, a Broadway Malyan celebra este ano seu 20º aniversário em Portugal, onde rapidamente começou a marcar tendências no setor imobiliário, destacando-se sobretudo nos setores do retalho, hotelaria e escritórios.

Para assinalar esse marco, esta quinta-feira de manhã a fundadora e Main Board Director do escritório em Lisboa, Margarida Caldeira, abriu as portas do ateliê aos jornalistas para um pequeno-almoço onde fez uma retrospetiva deste percurso, dando a conhecer aqueles que são os vetores do crescimento neste novo ciclo de mercado.

O mercado dita as regras. E nós temos de saber adaptarmo-nos e ser flexíveis para crescer”, reconhece Margarida Caldeira, para quem “os arquitetos são dos primeiros profissionais a antecipar as tendências que irão dominar o mercado”. Razão pela qual, em 2008 a arquiteta não hesitou na hora de expandir o trabalho do ateliê lisboeta para novos mercados, antecipando que tempos turbulentos se avizinhavam no mercado português. “Na segunda metade desse ano tínhamos alguns grande projetos em mãos que de repente foram cancelados, e isso foi um sinal de alerta para nós do que estaria para vir. E decidimos por isso, a partir da operação em Portugal procurar mais oportunidades em mercados externos, quer em economias emergentes com fortes ligações a Portugal, quer em mercados mais maduros para os quais poderíamos exportar a nossa experiência em setores como o retalho, espaços de trabalho e habitação”.

O Brasil, com a abertura de um escritório em São Paulo, foi a primeira paragem, que permitiu também explorar o mercado da América do Sul de forma mais alargada, incluindo a compra de uma operação no Chile, em 2014. Em África, a equipa está envolvida em vários projetos de retalho em Angola, onde entre outros projetos de referência, inclui no seu portfólio a realização do plano de desenvolvimento urbano para Luanda, e está agora de volta a Cabo Verde, tendo também já realizado alguns projetos em Moçambique. Outro dos destinos mais fortes do talento exportado a partir de Lisboa é o Médio Oriente, nomeadamente os emirados de Abu Dhabi, Qatar e Dubai – que alberga a nova sede da HSBC, um dos novos projetos em que a Broadway Malyan está a trabalhar. Na Ásia, Xangai e Singapura são outras das paragens do trabalho produzido no nosso país; que está agora exportar projetos também para a Europa, nomeadamente Inglaterra, Alemanha, Dinamarca e Arménia, além de Portugal.

Hotelaria é a grande aposta de Portugal para o mundo

Uma coisa é certa: a consolidação de Lisboa como hub internacional da multinacional de arquitetura é para continuar. E se numa primeira fase a equipa portuguesa se afirmou como especialista internacional em arquitetura para o setor retalho no universo do grupo, neste novo ciclo a exportação de expertise na área da hotelaria é a grande aposta. “A hotelaria é uma das grandes apostas atuais da empresa, não só no nosso país. E, em Lisboa somos a equipa que tem mais expertise e o maior volume de projetos nesta área, razão pela qual gostaria muito que no futuro o nosso ateliê pudesse volta a dar um contributo tão significativo para o crescimento global do grupo na hotelaria como já aconteceu no caso do retalho”, confessa Margarida Caldeira. Até porque na Broadway Malyan “acreditamos piamente na especialização”, conta ainda a arquiteta.

A remodelação do hotel Quinta das Lágrimas, em Coimbra, e do hotel Altis das Olaias são dois dos projetos em carteira neste setor no nosso país, aos quais se juntam ainda “um outro projeto em Lisboa, que consiste na reabilitação de um equipamento já existente e que promete tornar-se um marco na hotelaria da cidade”, sendo que este último é uma encomenda de “uma cadeia hoteleira que vai investir em novas reabilitações”, adianta ainda Margarida Caldeira. Além destes, o ateliê está ainda a trabalhar num outro projeto de grande dimensão que também irá incluir valências turísticas, mas cujos pormenores não podem para já ser revelados.

Criada em Inglaterra, a Broadway Malyan conta hoje com 16 escritórios internacionais e uma equipa de mais de 500 pessoas a nível global, desenvolvendo projetos em todos os continentes. O escritório de Lisboa é uma peça cada vez mais importante na estratégia de expansão internacional do grupo, sendo que cerca de três quartos dos resultados gerados pela equipa sedeada em Portugal correspondem a projetos desenvolvimentos para mercados internacionais, com especial destaque para o Médio Oriente e África Subsaariana.

Embora ainda vá a meio, 2016 promete ser um ano memorável para a Broadway Malyan em Portugal, que antecipa registar o seu melhor ano de sempre desde a entrada no nosso país. Já 2015 foi de forte recuperação para a empresa, que atingiu a fasquia dos 5 milhões de euros em faturação e viu a faturação gerada em projetos nacionais a crescer de 3% do total da atividade em 2014 para os 30%, prevendo-se que venha a aumentar para cerca de 50% em 2016.

E, reconhecendo o trabalho desenvolvido a partir de Lisboa e a crescente influência da sua equipa para os resultados da região, a Broadway Malyan nomeou agora Margarida Caldeira para liderar o Board de diretores do grupo para a região EMEA (Europa, Médio Oriente e África) bem como para fazer parte do Comité Executivo do grupo.