Hotelaria

Hotelaria prepara-se para 2023 depois de ano “absolutamente excecional”

Ana Tavares |
Hotelaria prepara-se para 2023 depois de ano “absolutamente excecional”
Bernardo Trindade, Presidente da AHP| Foto: AHP

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Decorre em Fátima o congresso anual da Associação da Hotelaria de Portugal, que este ano centra o debate no novo contexto macroeconómico de incerteza que marca o primeiro ano de retoma do turismo no pós-pandemia.

Reunindo «quase 600 associados e congressistas», os números «revelam o momento que vivemos, de necessidade de encontros e de trocar impressões», descreve Bernardo Trindade, Presidente da AHP, em declarações à VI. «O nosso objetivo este ano foi construir um congresso que desse resposta às nossas grandes questões, nomeadamente como fazer face à incerteza, e para isso trouxemos pessoas que, vindas de outros setores de atividades, podem dar o seu testemunho sobre o que podemos fazer na hotelaria e no turismo», revela.

Bernardo Trindade recorda que «estamos a ter um ano de 2022 absolutamente excecional em termos de receitas», performance que «recupera a confiança dos nossos clientes e é resultado do trabalho muito bonito que fizemos ao longo de muitos anos». No entanto, este período é «infelizmente também acompanhado pelo acréscimo substancial da despesa, nomeadamente o preço da eletricidade e do gás, que nos traz grande preocupação». O responsável salienta que «o Governo anunciou 3.000 milhões de euros para fazer face a esta fatura, e temos a expetativa legítima de poder integrar este leque de atividades que são beneficiadas por essa medida», lembrando que «vamos agora entrar numa estação muito dura e fortemente consumidora de recursos, como a eletricidade e o gás». Também presente no primeiro dia do congresso, o ministro da Economia, António Costa e Silva, «mostrou disponibilidade para nos ouvir. Sabemos que o Governo está a trabalhar na matéria», completa o presidente da associação.

Bernardo Trindade descreve «uma grande incerteza» esperada em 2023, «que advém da guerra, da inflação, do aumento das taxas de juro, tudo constrangimentos para quem quer uma opção de lazer». Neste contexto, garante que «vamos estar muito vigilantes. Temos noção do trabalho que fizemos». Mas destaca que «na sua apresentação, o conglomerado de estudos internacional STR deixou uma visão muito positiva para Portugal, espero que se cumpra, e os nossos profissionais estão preparados para isso».

Organizado pela AHP, sob o mote “Winds of Change”, o 33º Congresso Nacional da Hotelaria e Turismo realiza-se este ano de 16 a 18 de novembro no Centro Pastoral Paulo VI em Fátima.

Nos primeiros dias do evento, marcaram presença figuras como o ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva; Francisco Calheiros, Presidente da Confederação do Turismo de Portugal, Pedro Machado, Presidente do Turismo Centro de Portugal, Luís Miguel Albuquerque, Presidente da Câmara Municipal de Ourém, e Carlos Manuel Pedrosa Cabecinhas, Reitor do Santuário de Fátima, além do ex-ministro da Economia Pedro Siza Vieira, entre outros.

Estiveram em discussão temas como a adaptação das empresas do setor ao contexto de imprevisibilidade, o investimento ou a gestão em tempos de mudança, ou recursos humanos. Sustentabilidade e saúde são alguns dos temas dominantes desta sexta-feira, último dia do congresso.