O megaprojeto EntreCampos, promovido pela Fidelidade Property, foi oficialmente apresentado esta quarta-feira. “É o primeiro grande lançamento do EntreCampos”, afirmou Miguel Santana, administrador da Fidelidade Property, na apresentação do projeto. A seguradora “acreditava que esta seria uma forma de dar um projeto com o seu cunho à cidade. É um investimento para todos, é um projeto aberto à cidade, com espaço para todos usarem”. O EntreCampos transforma os terrenos da antiga Ferira Popular num empreendimento com 7 edifícios de escritórios (140.000 m²), dois pisos de comércio de rua (20.000 m²) e três edifícios residenciais com 249 apartamentos (28.000 m²), além de 17.000 m² de espaços públicos, numa área total de construção de 330.000 m². Dando especial importância à sustentabilidade e aos altos standards do mercado, o projeto conta com pré-certificações LEED, WELL e WIREDSCORE. O projeto venceu, no ano passado, o prémio “Best New Mega Development” nos MIPIM Awards, que distinguem os projetos imobiliários mais inovadores, sustentáveis e impactantes do setor. “Foi o melhor óscar do imobiliário que poderíamos receber”, referiu Miguel Santana. A Operação Integrada de Entrecampos, da qual o EntreCampos faz parte, inclui também habitação acessível, a cargo da Câmara Municipal de Lisboa, que não integra esta oferta específica. Um novo benchmark no mercado de escritórios Pela sua qualidade, o EntreCampos quer definir um novo benchmark do mercado de escritórios de Lisboa. Pedro Salema Garção, Head of Offices da Cushman & Wakefield, uma das consultoras que comercializam o projeto, referiu que “este é o projeto de escritórios mais icónico da cidade. Queremos transformar o mercado e a visão que se tem dos escritórios”. O EntreCampos tira partido da atratividade do país para as empresas (nacionais e internacionais), nomeadamente da importância que tem a experiência dos colaboradores nos espaços de trabalho, numa altura em que “o híbrido veio para ficar”. A sua localização central na cidade, e próxima dos principais transportes públicos, incluindo o comboio, “cumpre todos os objetivos”. António Almeida Ribeiro, Head of Office Investors da CBRE, que também comercializa o empreendimento, destaca não só a centralidade do projeto, como a sua eficiência e escala. “O EntreCampos não acompanha o mercado, lidera-o”. Retalho “é a espinha dorsal” do EntreCampos Neste empreendimento, a componente de retalho é encarada como o ‘coração’ de EntreCampos. É assim que descreve a Nhood, que ficará responsável por este conceito de High Street Curated Retail, que integra restauração, lazer e comércio, ligados ao espaço público. Os principais pilares desta estratégia assentam nos critérios de ESG, exclusividade, conexão humana, foco no futuro e comunidade. A conveniência é ponto essencial desta oferta, que também contará com uma âncora alimentar. Sem avançar empresas específicas, os responsáveis avançam que têm recebido “muito interesse” por parte dos retalhistas. Percurso arrancou em 2018 Miguel Santana recordou que a hasta pública do projeto, na qual licitou, foi já em 2018, quando os terrenos foram arrematados pela Fidelidade Property por cerca de 273 milhões de euros. No ano seguinte, a seguradora adquiriu o direito de superfície do lote B3, para aí construir um parque de estacionamento que apoia o projeto. Nesse ano, arrancaram também as escavações do terreno, que duraram cerca de 2 anos. Em 2024, “tivemos um marco importante para o projeto”, nomeadamente a apresentação do novo masterplan, já ajustado face à versão inicial. Neste momento, estão já em construção os vários edifícios de escritórios, incluindo o da nova sede da Fidelidade, que está em fase de conclusão. “Mudamo-nos até ao verão”, afirmou Miguel Santana. A KPF e a Saraiva + Associados são responsáveis pelos edifícios de escritórios e espaços de retalho, e a Gensler e a Promontório assinam o edifício da nova sede da seguradora. Os edifícios de habitação são da autoria dos arquitetos portugueses Álvaro Siza Vieira e Eduardo Souto Moura, em colaboração com a arquiteta Ana Costa. “São centenas de pessoas envolvidas, e muitos anos de trabalho”, destacou Miguel Santana. A conclusão do projeto na totalidade está prevista para 2028. Sem avançar o valor total do investimento, a Fidelidade prevê que a sua valorização global ascenda aos 1.300 milhões de euros.