A falta de mão de obra para responder aos grandes projetos de infraestruturas previstos para os próximos anos preocupa a Ordem dos Engenheiros. O bastonário, Fernando de Almeida Santos, considera que Portugal tem capacidade empresarial, mas precisa de reforçar o número de engenheiros e, sobretudo, de trabalhadores intermédios e especializados.
Em declarações à Lusa, citada pelo idealista/news, o responsável defendeu que o país deve adotar políticas públicas para atrair mão de obra e talento para a construção, de forma a garantir a execução de projetos como o novo Aeroporto Luís de Camões, a Terceira Travessia do Tejo e os investimentos ferroviários: "Para fazermos isto tudo, precisamos de gente em Portugal. Gente operária, essencialmente”.
Segundo Fernando de Almeida Santos, a concretização simultânea destas obras exigirá uma resposta ao nível da política pública. "Isso vai ter que ser uma decisão também política do Estado de poder fomentar essa captação de mão de obra e de talento para a construção", defendeu.
Acelerar processos e garantir acessibilidades
O bastonário considera igualmente essencial acelerar os procedimentos administrativos, ambientais e de planeamento que antecedem o arranque das obras, lembrando que estas fases demoram frequentemente mais tempo do que a própria construção.
Relativamente ao novo Aeroporto Luís de Camões, defendeu que as ligações rodoviárias e ferroviárias deverão estar concluídas quando a infraestrutura entrar em funcionamento. Já sobre a Terceira Travessia do Tejo, admitiu que é tecnicamente possível concluí-la até 2034, desde que os processos preparatórios avancem rapidamente:"Se nós quisermos ter uma ponte a começar a ser construída em 2030, por exemplo, temos que dar à perna para que possamos ter tudo pronto", afirmou.
Fernando de Almeida Santos recordou ainda o exemplo da Ponte Vasco da Gama, salientando que decorreram cerca de cinco anos entre a decisão política e a inauguração, para defender uma maior rapidez na preparação das grandes obras.
Custos poderão aumentar
Sobre o investimento previsto para o novo aeroporto, o bastonário admitiu que o orçamento possa crescer devido à inflação, ao aumento dos custos de construção e à escassez de mão de obra: "É natural que aumente com a questão da inflação, do custo da construção e com a falta de mão de obra".
Ainda assim, sublinhou que esse eventual agravamento será suportado pela concessionária responsável pelo projeto e não diretamente pelo Estado:"Mais para cima ou mais para baixo, independentemente disto ter que ser feito, tem a ver com custos da concessionária que assumiu essa concessão e, portanto, só tem que adequar esses custos ao negócio. Mas o investimento do Estado português de forma direta é nulo do ponto de vista financeiro".