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Escritórios com novo fôlego: absorção sobe 19% em agosto

Ana Tavares |
Escritórios com novo fôlego: absorção sobe 19% em agosto

O verão encerra, assim, com perspetivas mais animadoras para este mercado. O mês de agosto deu um novo impulso ao mercado, com o fecho de 6 operações, duas das quais acima dos 5.000 m², depois de dois meses consecutivos de resultados negativos, com os meses de junho e julho a registar um volume de absorção de 5.472 m² e uma quebra de 89,8%, face a igual período de 2019.

Nas contas da Savills, o volume de absorção acumulado de janeiro a agosto representa uma descida de 28,1% face a igual período de 2019, mas a consultora salienta que o mercado continuou a registar o fecho de operações de maior dimensão e uma «vontade resiliente das empresas em levarem a bom termo os seus planos de mudança de instalações».

Até agosto, 52% do volume de absorção registado disse respeito a operações acima dos 5.000 m². Face ao ano passado, este tipo de absorção subiu 8,3%. No total, foram fechadas 6 operações, sendo uma das mais representativas a ocupação por parte do BPI do Edifício Monumental (16.441 m²) na zona Prime CBD. Em termos de performance por zona de mercado, à exceção da zona 7 (outras zonas), todas as zonas do mercado de escritórios de Lisboa demonstraram quebras de atividade, com particular destaque para as Novas Zonas de Escritórios (-76,8%) e a Zona Histórica & Beira-rio (-70,6%).

Alexandra Portugal Gomes, Associate do Departamento de Research da Savills Portugal, comenta que «a quatro meses do final de 2020 é seguro afirmar que o ano irá encerrar abaixo da média de ocupação verificada nos últimos dois anos situada nos 200.000 m2, sendo expectável uma descida de 25% no volume de absorção que coloca o resultado final na ordem dos 150.000 m2 de espaços de escritórios ocupados em 2020».

 

Escritórios vão continuar a ser essenciais para as empresas

Entre janeiro e agosto foram fechadas 63 operações, menos 44% face a igual período de 2019. A zona do Corredor Oeste somou 19 operações. Destacou-se o setor Farmacêuticas e Saúde, bem como os Serviços Financeiros, com aumentos de 65,6% e 37,8%, respetivamente.

Estes números não surpreendem Rodrigo Canas, Associate Director do Departamento de Escritórios da Savills Portugal, segundo o qual «não devem ser percecionados de forma negativa. A pandemia Covid-19 veio claramente colocar em perspetiva os espaços de trabalho e a forma como estes estão organizados e preparados para voltarem a receber os trabalhadores de forma segura».

E completa que «se existem algumas empresas que passaram a apostar a 100% no teletrabalho, essa não será realidade da grande maioria das empresas em Portugal. O espaço de escritório vai continuar a manter o seu lugar de liderança, não sendo possível substituir todas as funções a que responde: desde a relação intersocial com os colegas, ao estímulo criativo, ao brainstorming, à troca de experiências e ao estabelecimento e manutenção de uma ligação presencial e fulcral com clientes».

De acordo com a Savills, «a Covid-19 mostra-se uma oportunidade reposicionamento não só das estratégias das empresas, como também dos próprios edifícios de escritórios que se querem agora, mais do que nunca, 100% flexíveis, com capacidade de resposta e adaptação imediata a futuras situações de crise».