Decorre esta quarta-feira uma nova edição da Convenção APEMIP IMOCIONATE, um evento organizado pela APEMIP, em parceria com a Vida Imobiliária, que reuniu cerca de 700 profissionais da mediação imobiliária no Centro de Congressos do Estoril.
O dia foi dedicado à reflexão sobre o momento atual da economia e do setor imobiliário, às novidades legislativas da habitação e à partilha de experiências e conhecimento dos profissionais da mediação imobiliária.
Abrindo as hostilidades, Patrícia Barão, presidente da APEMIP, destacou a importância das relações na mediação imobiliária. “Não é possível trabalhar em mediação sem criar laços de confiança. Temos de ser especialistas para conseguir acompanhar o processo de compra ou de arrendamento, e temos de transmitir essa confiança. Não nos basta saber tudo sobre o mercado, temos de ser capazes de usar as ferramentas que temos ao nosso dispor. Somos nós que estamos na primeira linha do mercado imobiliário, por isso temos estado no fórum público. E o futuro da nossa profissão não vai estar escrito na lei nem será nenhum presidente a escolher, nós é que vamos decidir o nosso futuro”.
A líder da associação também salientou a importância da nova legislação que está na iminência de ser publicada, há muito aguardada pelo setor. “A lei que nos rege é de 2013, completamente ultrapassada. Sabemos que na nova lei a formação será muito importante, e os bons profissionais continuarão a fazer parte da profissão”.
“Os desafios que temos são muitos, a concorrência é dura, e a resiliência é palavra de ordem, porque é difícil vingarmos sozinhos. Quem souber usar melhor as ferramentas disponíveis, estará mais bem preparado para o futuro. Temos de acompanhar o muito que se está a passar, para sobreviver. Quero que esta profissão seja escolhida por gosto e por escolha, e não porque a vida assim empurrou”, referiu ainda Patrícia Barão.
Pedro Megre, CEO do Grupo UCI, entidade que pensou o conceito IMOCIONATE, apontou a importância de se discutir a tecnologia e a Inteligência Artificial em particular, mas que “este setor trata de inteligência relacional, é isso que tentamos potenciar”. Perante a crise de acesso à habitação, “é fundamental criar confiança, ser empático, ter capacidade de interpretar matizes emocionais e tudo isso é inteligência relacional. É com o prosperar destas relações que o negócio cresce”.
Por seu turno, António Gil Machado salientou “um dia pensado para quem está no terreno. É necessário dar visibilidade à APEMIP enquanto força da nossa sociedade”.
Nova lei da mediação “está em circuito legislativo”
Há muito aguardada pelo setor da mediação imobiliária, a nova lei que vai regular a profissão encontra-se atualmente “em circuito legislativo”, garante o presidente do Conselho Diretivo do IMPIC, Fernando Batista.
Não avançando demasiados pormenores, o regulador refere que “propôs uma lei que se adapte às novas realidades, tecnologias e que se foque em capacitar o setor. Grande parte dos mediadores são responsáveis, investem no conhecimento, mas também temos muitas pessoas que não fazem ideia do que é esta atividade. Todos os que trabalham nesta área têm de ter formação obrigatória, inicial e sequencial”. Aqui se inclui a responsabilidade dos mediadores no processo de combate ao financiamento do terrorismo e branqueamento de capitais, cumprindo as exigências europeias.
Fernando Batista identifica que muita coisa mudou na profissão da mediação imobiliária nos últimos 10 anos, nomeadamente o facto de Portugal se ter vindo a afirmar como destino de investimento imobiliário, ou o aumento da competitividade. “Há uma maior noção de que a confiança é o maior ativo da mediação imobiliária. É preciso conhecer o mercado e estar capacitado, por isso queremos que o novo enquadramento legal seja uma alavanca para podermos melhorar ainda mais”.
Em paralelo, um dos grandes focos do IMPIC continua a ser “o combate ao exercício da atividade ilegal da mediação, é lesiva do Estado, dos consumidores e da profissão como um todo. Vamos continuar a ter essa prioridade”, garante Fernando Batista, que apela aos agentes que “façam o seu trabalho com paixão”.
