Habitação

Construção para arrendamento “vai disparar nos próximos 5 anos”

Ana Tavares |
Construção para arrendamento “vai disparar nos próximos 5 anos”

A pandemia de Covid-19 veio mudar as tendências do imobiliário em todo o mundo, e segundo o mais recente estudo da JLL, “European City Dynamics”, teve também influência em vários aspetos da vida dos jovens europeus, nomeadamente nas suas necessidades habitacionais ou na forma como encaram o ensino superior, que podem representar «novas oportunidades e desafios para os investidores, operadores e promotores do setor imobiliário residencial».

A consultora acredita que os residentes urbanos jovens vão continuar a impactar fortemente o mercado imobiliário e a procura por habitação depois da pandemia, já que cerca de 22% da população das grandes metrópoles urbanas tem entre 20 a 34 anos. Esta é também a franja demográfica mais representativa dos inquilinos do segmento Multifamily – construção de raiz para fins de arrendamento de longa duração.

Portugal não é exceção. Lisboa e Porto são hoje duas cidades «muito pouco acessíveis» para arrendar casa, especialmente por parte dos jovens, que não encontram oferta adequada disponível, mas que se mostram cada vez mais abertos ao arrendamento.

Entre 25% a 30% do rendimento médio disponível das famílias em Lisboa e no Porto é alocado à renda (considerando uma casa com 50 metros quadrados em 2019). E o rácio tem tendência a agravar-se, aproximando-se dos casos de Londres, Paris ou Amesterdão e Barcelona, onde uma renda consome mais de 30% do rendimento médio disponível das famílias.

Estes jovens procuram aceder à primeira habitação sem o ónus da compra, seja porque preferem soluções flexíveis, seja porque têm (e terão nos próximos anos, no decorrer da pandemia) dificuldades no acesso ao financiamento para a compra. Além disso, o crescente fluxo de estudantes, internacionais e não só, também não encontra oferta adequada.

Por isso, a JLL acredita que o Multifamily tem espaço para crescer nos próximos tempos. Fernando Ferreira, Head of Capital Markets da JLL, comenta em comunicado que este segmento de mercado «está a gerar um crescente interesse entre os investidores, devido à sua resiliência e ao facto de não existir resposta para a procura atual. Este segmento vai disparar nos próximos cinco anos nas zonas de Lisboa, Porto e respetivas coroas urbanas, sendo os jovens um dos segmentos mais relevantes da procura para este mercado».

O responsável explica ainda que «existe um enorme potencial de crescimento nesta franja mais jovem para o desenvolvimento de projetos residenciais destinados ao arrendamento, disponibilizando casas adequadas à sua capacidade financeira, mas também ao seu estilo de vida. Isto porque, para estes jovens, arrendar não é só uma questão financeira. Estas novas necessidades habitacionais são um tema geracional e cultural. Os millenialls não querem necessariamente possuir uma casa, querem usá-la e ter flexibilidade e mobilidade nas suas opções de vida. Esse é o seu lema para quase tudo. Vão ser um importante motor deste mercado de arrendamento institucional também em Portugal».

Tom Colthorpe, Senior Analyst – EMEA Living Research & Strategy, JLL e autor do relatório, comenta também que «a natureza abrangente da atual crise irá influenciar profundamente os estilos de vida e as decisões financeiras dos jovens nos próximos anos. O investimento em habitação e as estratégias operacionais necessitam de ter perceção das novas preferências de localização para as casas para arrendamento bem como das expetativas dos inquilinos em terem casas com layouts otimizados».

«Perceber esta procura dos jovens residentes, nomeadamente aquilo que querem da sua casa, deverá traduzir-se num crescimento de contratos de arrendamento e de compras de imóveis que respondam a estas preferências», conclui o responsável.