Atratividade de Lisboa pode impulsionar take up estável de 300.000 m2

Ana Tavares |
Atratividade de Lisboa pode impulsionar take up estável de 300.000 m2

As palavras foram proferidas por Francisco Horta e Costa, Managing Director da CBRE em Portugal, que falava sobre o futuro do imobiliário durante a sessão “Real estate overview by leading consultants”, durante o Portugal Real Estate Summit. Mas avisa que para atingir este número otimista «tem de haver oferta».

«Se essa oferta vier para o mercado, sabemos que ter mais escritórios de topo vai atrair mais empresas, e vai ser bom para o mercado como um todo», completa. Considera que nos próximos anos a renda prime de escritórios pode mesmo estar nos 30 euros/m² (face aos 20 a 23 atuais).

Paralelamente ao crescimento da atividade empresarial, «Lisboa vai ter de se expandir para sul. O projeto da Baía do Tejo pode ser a Brooklyn de Lisboa, tem uma potencialidade enorme», destacou.

Francisco Horta e Costa salientou que o mercado tem assistido a uma série de fenómenos que não se acreditavam possíveis: «nunca pensámos que haveria habitação na Baixa, ou que haveria um destino de luxo na Avenida da Liberdade».

 

2013 foi o “turning point”

Tudo mudou no mercado imobiliário em 2013, acredita Paulo Silva, Head of Country da Savills, que se focou nesta sessão no presente do setor.

Com a mudança na lei das rendas, impulsionou-se a reabilitação urbana e o investimento, também com a criação de instrumentos como os “golden visa”: «hoje temos criado o regime das SIGI, que vão ser muito importantes para Portugal nos próximos anos».

E se em 2013 as atenções estavam voltadas para os centros das cidades, este foco expande-se atualmente, com o investimento na cidade de Lisboa a passar de 128 milhões nesse ano para 970 milhões em 2018. «Se tivemos ondas de investimento no passado, hoje recebemos investimento de todo o mundo».

As atenções recaem também sobre ativos distintos, como sejam os escritórios, as residências de estudantes ou o co-living. Mas a grande novidade está no Porto, hoje um novo destino de escritórios, e que «está a ter um papel muito importante na atração de investimento».

 

Investimento comercial está em níveis inéditos

Se andarmos um pouco mais para trás, para os anos antecedentes da crise, constata-se que o investimento imobiliário comercial está muito acima dos níveis considerados normais para a época.

Eric van Leuven, Head of Portugal da C&W, que se debruçava sobre o passado do mercado, destacou que este volume de investimento está «muito acima do pré-crise, e este ano pode chegar novamente aos 3.000 milhões de euros».

Destaque para a diversidade do capital, das nacionalidades e dos perfis do investimento, bem como o tamanho das operações, que «é muito maior». Aliás, os centros comerciais têm sido alguns dos ativos preferidos, e «os investidores não parecem estar preocupados com o e-commerce».

A jogar a favor do país tem estado «um bom trabalho para sair da situação» da crise, depois da intervenção da troika. As exportações representam grande parte do crescimento da economia, e não dizem respeito só ao turismo – mas este setor representa 57,6 milhões de dormidas em 2018. Também a taxa de desemprego tem vindo a baixar muito, o que tem tido um efeito muito positivo no mercado de escritórios e no take up em particular.

 

O Portugal Real Estate Summit é uma iniciativa da Iberian Property. O evento dedicado ao investimento imobiliário decorreu a 26 e 27 de setembro no Hotel Palácio Estoril.