“Em 2016 o mercado tem continuado a surpreender pela positiva”

Susana Correia |
“Em 2016 o mercado tem continuado a surpreender pela positiva”

Em diferentes fases de desenvolvimento, sete dos nove projetos que constituem o portfólio da Coporgest localizam-se no Chiado, uma das mais prestigiadas áreas de Lisboa, o que Ricardo Amantes explica pelo facto de “zonas prime serem sinónimo de garantia de capital e de rentabilidade”. São estes os edifícios Rua da Misericórdia 116 e Largo do Chiado 5, recentemente concluídos, um edifício na Praça Luís de Camões, já em fase de conclusão, e os empreendimentos Duques de Bragança – Premium Apartments (rua Victor Cordon), e Chiado 12 (Largo do Chiado) cuja construção está a decorrer, além de outros dois empreendimentos ainda em fase de projeto: o Ivens 30 – que deverá entrar em obra ainda no 3º trimestre de 2016, criando cinco novos apartamentos - e o futuro Lisbon Chiado Hotel, que irá nascer no largo Rafael Bordalo Pinheiro. Ainda em Lisboa, a empresa está também a promover o condomínio fechado Sottomayor Residências, em construção na avenida Duque de Loulé e que irá reforçar a oferta do eixo da avenida da Liberdade com 97 apartamentos, ao qual se junta ainda o projeto Casas do Mar, que está a construir em São João do Estoril.

Confirmando que “a grande maioria dos nossos clientes é estrangeira”, embora no caso do Sottomayor Residências dê conta de uma forte procura por compradores nacionais, as perspetivas são para “fechar o ano com um volume de vendas em torno dos 15 milhões de euros” revela Ricardo Amantes, “contando apenas com as escrituras de venda”. Quanto aos valores praticados nos seus empreendimentos, o diretor comercial e de investimento da Coporgest conta que estes “variam entre os 5.000 e os 10.000 € por metro quadrado de área bruta privativa”.

Promoção imobiliária vive fase de “euforia” mas os riscos são mais reais que nunca

Conhecedor do pulso do mercado, o diretor comercial e de investimento da Coporgest está confiante na continuação do dinamismo deste setor ao longo dos próximos dois anos. “A dúvida não é 2016, mas sim os próximos anos, com especial destaque a partir de 2018 quando os primeiros vistos gold atribuídos atingem o prazo de cinco anos e, teoricamente, os respetivos proprietários de imóveis poderão proceder à sua alienação”.

Na opinião de Ricardo Amantes, “o mercado da promoção imobiliária em Lisboa atravessa, no presente, um momento de «grande excitação» ou mesmo alguma «euforia» em resultado da conjugação de dois fatores. De um lado, existe procura por parte de clientes finais, principalmente de estrangeiros (europeus e não europeus); do outro lado, e ao longo dos últimos meses, têm aparecido vários investidores (grande parte dos quais com origem nos mercados financeiros) que procuram obter no mercado imobiliário rentabilidades que deixaram de obter em outras classes de ativos”. Uma situação que no seu entender “é perigosa por três motivos: origina uma subida de preços generalizada, muitas das vezes sem critério de diferenciação; grande parte dos investidores não tem track record, nem experiência e equipa local; poderão existir falhas de compromissos no que se refere ao cumprimento de prazos de entrega e de assistência no pós-venda”. Sendo que, “se as coisas correrem mal para alguns destes investidores, há o risco de haver contaminação para o destino Portugal”, alerta

O responsável da Coporgest lembra ainda que “o fator absolutamente crítico para a captação e manutenção do investimento estrangeiro em Portugal é haver estabilidade legislativa (administrativa e fiscal)”, pelo que “andar sempre a rever a legislação que enquadra o investimento em Portugal cria instabilidade e incerteza, afastando os investidores (particulares e empresariais” do nosso país. Um bom exemplo disto é “a instabilidade que existiu no regime do golden visa no final do ano passado e início deste, que motivou um brutal arrefecimento da procura motivada por este fim. Assim que os processos voltaram à sua normal e regular prossecução, a procura mostrou-se crescente”.

Comentando o desfasamento que parece existir entre as anunciadas políticas públicas para aumentar a oferta de habitação reabilitada para o mercado de rendas condicionadas nos centros das cidades, e o forte crescimento registado no investimento em reabilitação residencial para o segmento alto de mercado e para o arrendamento de curta duração, Ricardo Amantes é perentório: “os sucessivos Governos têm de perceber que Portugal tem uma economia de mercado livre, sujeita às regras da procura e da oferta”. Por isso, continua, “se os Governos, sejam eles quais forem, querem gerar mais oferta reabilitada para a classe média, especialmente os jovens, e promover o acesso a estas casas através do arrendamento acessível, podem e devem-no fazer no património que é do Estado e que se encontra por aí sem qualquer utilização. Por exemplo, a Estamo, em vez de alienar património público, poderá proceder à sua reconversão e reabilitação e coloca-lo no mercado para aquela finalidade. Outra alternativa seria a de criar um Fundo de Investimento Imobiliário detido pelo Estado, cujo drive seria aquele tipo de investimentos”.

Refira-se que em 2014 a Coporgest constituiu uma unidade de negócio interna e criou a marca Lisbon Best Apartments, que se destina ao arrendamento de curta duração. “Neste momento, já temos três edifícios em funcionamento (Chiado Trindade Apartments, São Bento Best Apartments e Chiado Mercy Apartments) e outros dois em fase de abertura (Chiado Square Apartments e Chiado Camões Apartments), num total de 45 apartamentos”, lembra Ricardo Amantes, concluindo que “a gestão é nossa e estamos satisfeitos com os resultados”.