Players confiantes em 2020: “tão cedo, o mercado não vai mudar”

Ana Tavares |
Players confiantes em 2020: “tão cedo, o mercado não vai mudar”

Este foi o sentimento partilhado de forma geral durante o mais recente Pequeno-Almoço Conferência, organizado pela Vida Imobiliária e pela Cushman & Wakefield em Lisboa, durante o qual os convidados partilharam as suas perspetivas para o ano que agora arranca.

Eric van Leuven, da C&W, considera que «2020 será mais um ano muito positivo para o imobiliário em vários segmentos e para os vários atores. Ainda temos compradores para tudo, haja produto. E é a diversidade que faz este mercado mais dinâmico, estamos a viver um momento único».

«Tão cedo, o mercado mão vai mudar», considera Paulo Barradas, da Norfin. «Não temos grande matéria de preocupação. As taxas de juro deverão manter-se assim durante mais algum tempo, e isso traz o capital todo para o imobiliário».

Também Pedro Seabra, da Explorer Investments, está convicto de que «2020 não é ainda o fim de um tempo bom. Claro que as coisas não podem continuar a crescer ao mesmo ritmo, mas temos muita gente a querer falar hoje de uma crise que ainda não existe».

Para José Araújo, do Millennium bcp, o difícil é escolher qual dos segmentos do mercado estará menos dinâmico este ano. Por isso, destaca, pela positiva, os escritórios, que continuam a registar uma forte procura, e a habitação para a classe média.

Para a Finangeste, «os desafios estarão em perceber os impactos da parte legal e fiscal na falta de produto. Temos a oportunidade de pensar em produtos e localizações diferentes», partilhou Ana Rita Figueiras.

Já Pedro Vicente, da Habitat Invest, acredita que este será «o primeiro ano de estabilidade e maturidade do pós-crise», e «uma grande oportunidade para a inovação, especialização, integração das preocupações ambientais e tecnológicas».

Há que continuar a ter algumas cautelas. Inês Santos Silva, da Lace, alerta que «temos de estar atentos aos mercados financeiros estrangeiros, estamos a atingir topos de ciclo em muitos indicadores, mas consideramos que vai ser um ano muito dinâmico ainda assim», partilhou.

 

Alterações da legislação refreiam o interesse dos investidores

O interesse dos investidores mantém-se, mas a falta de produto e algumas alterações legislativas podem refrear a entrada deste capital, concluem os responsáveis.

Nuno Ravara, da Finsolutia, testemunha que «continuamos a sentir uma enorme procura por parte dos investidores», à exceção da promoção imobiliária. Mas Hugo Santos Ferreira, da APPII, acredita que «o interesse começa a ser mais moderado, com algumas preocupações graves, e não por causa dos fundamentais do mercado».

O responsável avança que é a imprevisibilidade de cada Orçamento de Estado (que este ano prevê também alterações a regimes como os “golden visa”) que “mina” a confiança, e «alguns projetos não vão avançar por isso». Por outro lado, salienta a questão dos tempos de licenciamento, que «continua a ser um problema grave».

Inês Santos Silva atesta que «é difícil explicar ao investidor internacional como é que um Governo vai mudando as leis tantas vezes ao ano».

Para Hugo Santos Ferreira, o turning point este ano será o investimento na habitação para a classe média. «Vamos ver como conseguimos cumprir esse objetivo».

 

Sustentabilidade será uma das principais preocupações

Uma das grandes tendências para este e para os próximos anos, que vai impactar significativamente o mercado imobiliário e o investimento, é a preocupação com o impacto ambiental.

É um tema que «merece muita atenção», nomeadamente por parte de «grandes casas de investimento, que já se preocupam desde início, porque os investimentos são muito significativos», atestou Marta Esteves Costa, da C&W.

Pedro Vicente concorda e defende que «é uma preocupação que deve ser levada muito a sério. É difícil passar a mensagem dentro das nossas instituições, mas o imobiliário tem um dos maiores impactos ambientais a nível mundial».

Além da questão da sustentabilidade, também o bem-estar, nomeadamente no contexto corporativo, continuará na ordem do dia. «A escassez de recursos humanos qualificados é um risco futuro assumido pelas empresas». Por outro lado, as alterações demográficas e a “co-revolution” vão estar bem presentes no mercado ao longo do ano.