Mercado ocupacional “muito dinâmico” impulsiona investimento de €5.000M

Ana Tavares |
Mercado ocupacional “muito dinâmico” impulsiona investimento de €5.000M

 

Por um lado, o investimento imobiliário comercial (escritórios, retalho ou logística) terá motivado um investimento de 3.000 milhões de euros, marcado por várias operações de grande dimensão. «Estamos numa outra liga» de investimento, acredita Eric van Leuven, que destaca «recordes de investimento mas também no mercado ocupacional, que esteve muito dinâmico», além da maior proximidade do mercado português do europeu, visível na compressão das yields para níveis históricos, «tal como na Europa».

O setor do retalho lidera o volume investido (1.400 milhões), devido à venda de vários centros comerciais, como o portfólio da Blackstone, do Almada Fórum ou do Dolce Vita Tejo, entre outros. Seguem-se os escritórios, com 950 milhões, e Marta Esteves Costa, da área de Research da C&W, salienta que «a hotelaria, que representou 8% do investido (200 milhões), destaca-se como o novo setor de investimento» ao longo dos últimos anos.

Os investidores continuaram a diversificar-se, tanto a nível de produto de investimento, como de perfil de risco ou de geografia. E a C&W nota que alguns investidores americanos (oportunísticos) que entraram no mercado há alguns anos «estão agora a sair» de Portugal, dando lugar a novas preferências de negócio.

Por outro lado, a promoção e a reabilitação urbana representaram um investimento de cerca de 2.000 milhões de euros, correspondentes a 50 operações, incluindo a venda dos portfólios Golden, da Fidelidade, Viriato, do Novo Banco, ou Centauro, do Banif. Mas a consultora considera este número conservador, dada a dificuldade de monitorização destas transações, sendo «um mercado novo» que não pode ser ainda comparado em série como o imobiliário comercial.

 

“Gritante falta de casas e escritórios”

Apesar de a habitação não ser uma das áreas de negócio da C&W, esta tem forte impacto «em todo o ciclo económico», nomeadamente dos escritórios, lembrou Marta Esteves Costa. São já várias as grandes empresas que têm vontade de se instalar em Portugal, mas têm dificuldade em garantir a habitação dos quadros que querem trazer para o país.  

«Há uma gritante falta de escritórios e de casas», notou Eric van Leuven aos jornalistas esta quinta-feira. O ano de 2018 deverá fechar com uma ocupação de escritórios histórica de 200.000 m², nas contas da consultora, e há um pipeline de novos projetos extenso que «dá sinais de que o mercado vai arrancar. Vamos deixar de ter a carência de oferta que tínhamos, isto permite maior atração de investimento», mas a oferta especulativa continua a ser reduzida, e vários destes projetos não arrancaram ainda.

E tudo indica que o arrendamento continue a não atrair investimento com escala, já que as alterações à lei do arrendamento continuam a ser o principal entrave para os investidores, que temem a instabilidade legislativa e a pouca flexibilidade da lei. Por outro lado, o país continua a aguardar a criação de um regime de REITs, que permita democratizar este tipo de investimento.

A título de exemplo, Paulo Sarmento, diretor da área de Investimento da consultora, explicou que o arrendamento (que ainda é considerado um investimento alternativo) representa 50% do investimento em produtos imobiliários alternativos na Europa e é inexistente (com escala) no nosso país.

 

C&W tem o seu melhor ano de sempre

Também a C&W registou o seu «melhor ano de sempre, no ano em que passámos a cotar em bolsa», explicou o responsável.

A consultora registou um crescimento da faturação de 50% em Portugal, apesar de não revelar valores. Mas Eric van Leuven garante que «fomos o escritório mais rentável da Europa em 2018».