Visto Gold

IVA a 6% e “golden visa” podem ser chave para a retoma

Ana Tavares |
IVA a 6% e “golden visa” podem ser chave para a retoma

É o que mostra o mais recente Portuguese Investment Property Survey, inquérito de sentimento e expetativas realizado pela Confidencial Imobiliário junto de um painel dos mais representativos promotores e investidores imobiliários, em associação com a APPII.

Mesmo no atual contexto de pandemia, os promotores não tencionam parar os projetos que já têm em construção, e esperam que a atual situação tenha um impacto mais expressivo na dinâmica das vendas do que na pressão sobre os preços. Mas consideram essencial a implementação de algumas medidas públicas para incentivar a retoma do mercado no pós-Covid-19.

A redução no IVA na construção para 6% é considerada a medida mais importante para o setor, logo seguida pelo relançamento do programa dos “vistos gold”, mantendo o fluxo de procura internacional no país. Os operadores apontam também como importantes a aplicação de isenções temporárias de alguns impostos ou a possibilidade de realizar escrituras por via digital.

Neste primeiro inquérito feito já com os efeitos da pandemia, os operadores mostraram elevada resiliência no contexto atual. Apenas 21% afirmou que tem intenção de parar projetos em construção, e 31% apontou a possibilidade de considerar descontos para manter os níveis de procura. Muitos consideram implementar outras estratégias proativas, incluindo o maior recurso às visitas virtuais para aumentar as vendas (59% de probabilidade), ou ponderam atrasar projetos ainda em fase de licenciamento (43% de probabilidade).

 

Preços e vendas deverão descer nos próximos meses

Os inquiridos consideram que a pandemia deixou um impacto negativo no mercado em geral, tanto nos preços como nas vendas, apontando que as transações foram mais atingidas.

A 3 meses, a tendência é semelhante, e perspetivam-se novas quebras nos dois indicadores no 2º trimestre deste ano.

No decorrer dos próximos 12 meses, o mercado antecipa uma descida de 8,4% nos preços e uma redução de 15,7% nas vendas

Neste momento, o quadro económico é visto como o principal obstáculo ao setor imobiliário, com um índice de pressão de 85%, que compara com os 45% do trimestre anterior. A burocracia e os processos de licenciamento são a segunda principal restrição, com um índice de 82%.