Investimento em Portugal levou mais de 320 profissionais ao Estoril

Ana Tavares |
Investimento em Portugal levou mais de 320 profissionais ao Estoril

 

Considerado o mais importante fórum de investimento imobiliário da Península Ibérica, o Portugal Real Estate Summit realizou-se de 18 a 19 de setembro, tendo acolhido investidores oriundos de 20 países dos 5 continentes, incluindo da China, Austrália, África do Sul ou Estados Unidos, representando 200 entidades distintas, desde family offices, private equity, fundos de pensões, fundos imobiliários, REIT’s, seguradoras ou banca de investimento, ou de líderes nas áreas da promoção, hotelaria, consultoria, gestão de investimento, direito ou arquitetura.

 

REITs em Portugal até ao final do ano

Um dos pontos altos do evento foi o anúncio da criação de uma proposta de lei para criação de um regime de REITs em Portugal até ao final deste ano, prometida pelo ministro adjunto, Pedro Siza Vieira, que fez a abertura do evento a 18 de setembro.

O executivo acredita que o país «precisa de investimento de longo termo para satisfazer a procura existente». Garantiu que «em pouco tempo temos de ter legislação para veículos de investimento que possam intervir no mercado de arrendamento. A economia precisa disto e de melhorar as condições para o investimento de longo prazo».

 

Os desafios da “Califórnia da Europa”

«A ideia de que Portugal é um bom país para viver está finalmente em cima da mesa. Esta é a nova Califórnia da Europa, com um povo acolhedor como não há noutros pontos da Europa», afirmou Pedro Santa Clara, da Nova School of Business and Economics e Chairman da Alfredo Sousa Foundation. Na sua experiência, o mercado dos estudantes, um novo segmento do mercado em franca expansão, «pode vir a ser uma grande indústria de longo prazo, se conseguirmos atrair estas comunidades e fizermos uso das suas networks».

Passados os piores anos da crise, os especialistas concordam que o país tem uma economia em crescimento e está mais resistente a qualquer impacto conjuntural externo menos positivo. Clima, segurança, voos diretos ou recursos humanos e infraestruturas atraem cada vez mais investidores e empresas, especialistas em vários setores, que se vão instalando em Lisboa e Porto mas também noutras cidades, como Braga ou Coimbra e Aveiro. Pedem, contudo, atenção às alterações legislativas, pois procuram, acima de tudo, previsibilidade e segurança para o seu negócio, para que Portugal mantenha a sua crescente atratividade.

Outro dos pontos mais recorrentes da discussão foi a pressão sobre a habitação nas principais cidades Portuguesas. Uma procura que largamente excede a oferta coloca os preços em alta e acessíveis só para alguns, e isto está já a sentir-se também junto das multinacionais que se querem instalar no nosso país, como é o caso da Fujitsu, que emprega mais de 60 nacionalidades em Portugal. «Temos de pensar como é que podemos satisfazer uma força de trabalho maioritariamente millennial. Lisboa pode deixar de ser atrativa para o talento se o problema da habitação não se resolver», explicou José Miguel Pinto, Head of Service da Fujitsu, colocando assim em causa não só o mercado residencial, mas também o mercado dos escritórios.

Por outro lado, para os investidores e especialistas, aqui reside uma oportunidade de negócio, nomeadamente na construção de novo stock habitacional para a classe média e para portugueses. A este juntam-se ainda os novos segmentos de negócio, como as residências sénior ou para estudantes, cuja procura também continua a aumentar sem encontrar oferta adequada em quantidade ou qualidade. Pedro Silveira, Chairman do Grupo SIL, acredita que «há muito mercado para continuar a produzir a 3.000 e 4.000 euros por metro quadrado, não a 10.000 euros».