Savills

Investimento Multifamily na Europa deverá manter-se «forte»

Vanessa Sousa |
Investimento Multifamily na Europa deverá manter-se «forte»

Se os resultados assim o ditarem, o volume de investimento europeu neste setor irá manter o nível registado o ano passado, aquele que foi o segundo melhor ano de que há registo, segundo revela a mais recente investigação da Savills.

Por detrás desta boa forma do setor multifamily está, diz a consultora, um conjunto de fatores que o mantém resiliente à crise pandémica, como é o caso da «confiança dos investidores nos fundamentos do setor». Entre os seus pilares está o crescimento da urbanização, a diminuição dos agregados familiares, preços inacessíveis da habitação, bem como uma crescente procura de flexibilidade e serviços por parte dos ocupantes.

E este investimento não deverá ficar por aqui, já que as intenções de investir no segmento continuam e, «numa perspetiva de preços, os investidores também continuam a ter os mesmos requisitos em termos de retorno que tinham no início do ano», revela Marcus Roberts, Head of Operational Capital Markets da Savills na Europa.

 

Portugal está de olhos postos no setor

Embora ainda não seja uma primeira opção de investimento em território luso, o segmento multifamily tem suscitado uma atenção crescente por parte dos investidores, garante a consultora.

Isto acontece porque hoje «assistimos à manutenção dos fundamentais de mercado», enquanto se evidencia «um continuo desequilíbrio e desfasamento entre a oferta de mercado e os requisitos da procura» que foi enfatizado pela pandemia Covid-19, explica Alexandra Portugal Gomes, Associate Market Research da Savills Portugal.

Isto é especialmente verdade nos grandes centros urbanos de Lisboa e Porto, onde as famílias com baixos rendimentos poderão ser confrontadas com restrições ao crédito que as levará a procurar outros tipos de produtos direcionados ao arrendamento, como é o caso dos Multifamily, que são hoje «mais que nunca uma resposta expectável para esta necessidade de arrendamento, criando simultaneamente um novo produto de investimento para Investidores Institucionais», explica ainda Alberto Henriques, Associate Director de Capital Markets da Savills Portugal.

Na sua opinião, «o sector multifamily demonstrou que é uma fonte de rendimento resiliente durante esta pandemia como demonstram os dados do relatório da Savills, assim é natural que venha a ser um segmento de investimento também em Portugal, assim que exista produto desenvolvido».

Dado o desenvolvimento deste segmento a nível europeu, Eri Mitsostergiou, Director European Research na Savills, vai mais longe considerando que «o segmento multifamily já não pode ser considerado um investimento alternativo. Tornou-se numa classe de ativos adequada às estratégias de base, em especial em mercados como a Alemanha, os Países Baixos e os Nórdicos, onde os volumes são comparáveis ou até mesmo superiores aos dos escritórios. O setor também está a amadurecer rapidamente em Espanha e na Irlanda, onde os volumes do ano passado foram duas e cinco vezes superiores, respetivamente, à média de cinco anos».