Investimento imobiliário deverá atingir os €2.500M em 2019

Ana Tavares |
Investimento imobiliário deverá atingir os €2.500M em 2019

 

A informação foi avançada por Nuno Nunes, Senior Director de Capital Markets da consultora, durante a conferência “Tendências do Mercado Imobiliário”, organizada pela CBRE. Segundo o especialista, «a esta data, temos cerca de 500 milhões de euros de produto que deverão vir a mercado no primeiro semestre deste ano», dando ainda nota do lançamento de três portfólios de escritórios, um deles ainda esta semana. Estarão em causa cerca de 170 a 180 milhões de euros, como confirmou Francisco Horta e Costa, diretor geral da consultora em Portugal, ao Negócios, incluindo dois conjuntos em Lisboa e um projeto de uso misto no Porto.

Segundo Cristina Arouca, Head of Research da consultora, em 2018 a consultora contabilizou um total de 3.500 milhões de euros investidos em imobiliário comercial em Portugal (incluindo o portfólio Golden da Fidelidade, que também inclui imóveis residenciais), mais 54% que no ano anterior. A confirmarem-se as previsões, será mais um ano «robusto» e o segundo melhor de sempre.

O especialista em investimento nota também que, este ano, «o setor estrela pode ser a hotelaria, há operações de mais de 100 milhões, e uma «bastante acima de 100 milhões» em pipeline, avançou sem avançar mais pormenores.

2019 «ainda não vai ser o setor dos produtos alternativos, apesar dos projetos que já estão a ser promovidos», como sejam hospitais, residências de estudantes ou residencial para venda e arrendamento. «A única razão pela qual 2019 não vai ser um novo ano recorde de investimento é porque, apesar de já haver promoção, o produto só será vendido dentro de um a dois anos», explica Nuno Nunes.

 

SIGIs são um ótimo sinal para o mercado

Francisco Horta e Costa deu ainda nota à VI da importância criação das SIGIs, «um sinal excelente para o mercado» e que «traz para Portugal uma legislação que já existe noutros países, e que não é nova. Se a portuguesa for muito parecida com a espanhola, por exemplo, os investidores vão reconhecer que Portugal é um país que se está a modernizar e que é amigo do investidor».

Os primeiros frutos deste regime podem ainda demorar algum tempo a colher: «se tudo correr muito bem, teremos ainda este ano os primeiros registos de propriedade. Os primeiros investimentos não deverão surgir antes de 2020. Era bom vermos este ano os primeiros registos».

Em termos de produto de investimento, o responsável considera que a hotelaria e o setor residencial podem ser algumas das primeiras apostas das SIGIs.

 

Há mais investidores promotores

São cada vez mais os investidores que escolhem também promover os seus próprios projetos em Portugal, nomeadamente «muitos investidores institucionais que não olhariam para o desenvolvimento há cerca de 5 anos».

Neste momento, o investimento “value add” é «o que mais investimento atrai em Portugal. São investidores que acreditam que os fundamentais do mercado são muito fortes, e que existe um desequilíbrio entre a oferta e a procura. Muitos deles vêm um diferencial suficientemente interessante no nosso país, para o escolherem em detrimento de outros países», explica Nuno Nunes.

Apesar de a CBRE prever para 2019 um volume de investimento inferior ao investido em 2018, Cristina Arouca, salienta que «a promoção compensa, de alguma forma, esta atividade, porque como não há produto os investidores voltam-se para a promoção e para os produtos alternativos. Não há falta de interesse, mas sim de produto». Destaque para os escritórios, a habitação, e o co-living, apesar de este último ser um setor muito «embrionário».