Futuro da promoção passa pela diferenciação e novos canais

Ana Tavares |
Futuro da promoção passa pela diferenciação e novos canais

«Temos de pensar melhor o marketing para aumentar o peso das vendas diretas e diminuir os custos», acredita Paulo Loureiro, CEO da Louvre Properties, que considera que a aposta tem de estar também na diferenciação: «há muitos produtos e promotores que têm comunicação muito parecida».

Este foi o tema de um dos painéis do workshop “Are you brave?”, organizado pela APPII sob o mote “O futuro da promoção imobiliária”, que reuniu a 21 de novembro cerca de 120 profissionais em Lisboa.

A Vanguard Properties já está apostada na venda direta, e José Cardoso Botelho, Executive Managing Director, não hesita em afirmar que «a rentabilidade desse investimento tem sido muito boa». Carlos Patrício, administrador da Pujol Invest, acredita que «a solução são as vendas diretas» e novas bases de dados «de contactos de quem procura o mercado português». Exemplo disso é também a criação da marca Five Stars, da Habitat Invest, que comercializa as unidades de alojamento local da empresa.

Todos os especialistas reunidos neste workshop parecem concordar que o mercado está a passar por uma fase de transição, depois de «uma situação anormal em que não se construiu durante muito tempo», atesta Carlos Vasconcellos, Executive Chairman da Quantico SA. «Na Quantico, começámos pela reabilitação, mas neste momento olhamos para o que sustenta o mercado, que é volume de produto a preços mais baixos para as famílias portuguesas».

 

Luxo evolui para uma experiência

Em tempos de transição, também o mercado de luxo, que registou um grande crescimento no nosso país nos últimos anos, vai ter de evoluir e incorporar cada vez mais uma experiência para o cliente.

Pedro Vicente, administrador da Habitat Invest, salientou uma maior «orientação para as experiências sensoriais e para a pessoa. Na Habitat estamos a trabalhar nesse sentido através de produtos alternativos».

Enquanto especialista neste mercado, a Vanguard Properties está apostada nessa diferenciação, e em dezembro vai lançar uma linha de aromas exclusivos, além de músicas compostas para cada projeto da empresa. No fundo, «estamos a criar um sistema de apoio ao consumidor, para uma experiência diferente».

Já Paulo Loureiro acredita que, se até agora «o que mais vendeu foi a localização», no futuro «o luxo será muito mais fragmentado. Podemos ter de vender novas localizações de luxo, também para o “mass market”». Também a Quantico concorda com esta linha de pensamento, procurando o «”affordable luxury”, muito diferente do luxo de um projeto de reabilitação. A equação é muito diferente, nomeadamente tendo em conta a funcionalidade, a localização, arquitetura de interiores ou iluminação».