O mercado português tem apenas 28.000 camas disponíveis em residências de estudantes públicas e privadas, um défice estrutural que força cerca de 119.000 estudantes a recorrer ao mercado de arrendamento tradicional e que mantém o mercado residencial sob forte pressão.
Atualmente, a procura por alojamento estudantil especializado (PBSA – Purpose Built Student Accomodation) continua a crescer em Portugal, e chega aos 227.000 estudantes, número este que é impulsionado pelos cerca de 147.000 estudantes nacionais deslocados (36% do universo do ensino superior) e pelos 80.000 estudantes internacionais. Nas contas da CBRE, desde 2019, este segmento de mercado captou cerca de 1.200 milhões de euros em investimento, 98% estrangeiro.
A forte atratividade das instituições de ensino superior portuguesas, aliada à segurança e a um custo de vida competitivo, tem consolidado o crescimento do número de alunos a estudar fora do seu concelho ou país de origem. Em contrapartida, a oferta nacional de alojamento especializado permanece claramente insuficiente. Mesmo considerando a entrada prevista de cerca de 3.000 novas camas até 2027, concentradas especialmente em Lisboa e no Porto, o pipeline futuro continuará incapaz de acompanhar o ritmo de procura, mantendo Portugal entre os países europeus com menor taxa de cobertura no segmento PBSA, avisa a CBRE.
Igor Borrego, Head of Capital Markets da CBRE Portugal, salienta que “o mercado português de alojamento estudantil apresenta fundamentos extremamente sólidos e um potencial de valorização a longo prazo. O desequilíbrio acentuado entre uma procura crescente, alavancada por 80.000 estudantes internacionais, e uma oferta estruturalmente escassa torna Portugal um dos destinos mais atrativos para o capital institucional na Europa. Os 1.200 milhões de euros investidos desde 2019 demonstram a enorme confiança dos investidores internacionais e o dinamismo e maturidade do nosso setor”.
Com a falta de oferta, a pressão sente-se nos valores de arrendamento, mas Portugal continua a ser competitivo no contexto europeu. Segundo a CBRE, as rendas medianas no segmento PBSA estão nos 855 euros por mês em Lisboa e nos 745 euros por mês no Porto, substancialmente inferiores aos observados em exemplos como Londres 2.283 euros), Dublin (1.964 euros), Milão (1.674 euros) ou Madrid (1.332 euros).
Em paralelo, a oferta privada é escassa fora dos grandes centros urbanos de Lisboa, Porto ou Coimbra. Vila Real, Castelo Branco e Évora apresentam taxas de deslocação estudantil superiores a 60%.
A CBRE destaca esta oportunidade de crescimento, registando um “apetite crescente” de investidores core por plataformas e ativos estabilizados, o que sinaliza a maturação do mercado português.