Só 7% dos universitários tem acesso ao alojamento estudantil

Só 7% dos universitários tem acesso ao alojamento estudantil
Fotografia: C&W

O mercado português de alojamento para estudantes está em crescimento, no entanto, verifica-se ainda falta de oferta para os estudantes. É esta a conclusão do “Portugal PBSA Report 2026”, da Cushman & Wakefield.

O crescimento mais moderado das rendas, uma estabilização do número total de estudantes e uma procura internacional que continua a crescer, são fatores que têm ajudado o mercado (PBSA - Purpose-Built Student Accommodation) a entrar numa nova fase de maturidade. No entanto, para os profissionais, estes indicadores não significam apenas sinais positivos, já que o país “continua longe de conseguir responder às necessidades de alojamento para estudantes”, de acordo com a C&W.

A oferta de alojamento para estudantes em Lisboa e no Porto cresceu, nos últimos 12 meses, cerca de 2.500 camas (+16% face ao ano anterior), atingindo um total de quase 18.000 camas em 2026, mas a oferta é insuficiente face à procura: apenas 5% dos estudantes em Lisboa, 10% no Porto e cerca de 7% a nível nacional têm acesso a camas em alojamento para estudantes.

Isto coloca Portugal num dos países com maiores défices de alojamento estudantil das cidades europeias comparáveis. Ana Gomes, Head of Research & Insight na Cushman & Wakefield, afirmou: “O mercado português de PBSA está a amadurecer. O que começou há menos de uma década como uma classe de ativos emergente tornou-se um dos setores mais consolidados e acompanhados do mercado imobiliário português. O desafio deixou de ser provar a existência de procura e passou a ser criar capacidade suficiente para responder a essa procura”.

A consultora, aponta que, este ano letivo, o mercado português terá uma procura mais seletiva, mas ainda sustentada pela crescente presença de estudantes internacionais e pela falta de oferta disponível. As perspetivas são, então, que apesar da redução do número de estudantes no ensino superior do último ano, a procura e a consequente pressão sobre o alojamento vai manter-se elevada.

A C&W aponta ainda que depois de quatro anos de aumentos expressivos, o crescimento das rendas abrandou: atualmente os valores mensais de um estúdio individual em projetos PBSA privados situam-se entre 740€ e 1.500€ em Lisboa e entre 735€ e 980€ no Porto.

Ana Gomes, referiu ainda que “A próxima fase de desenvolvimento do setor deverá passar não apenas pela criação de mais camas, mas também pela capacidade de disponibilizar uma oferta diversificada e ajustada às diferentes necessidades dos estudantes”.

Quanto ao investimento, a atividade em PBSA terá continuado limitada em volume nos últimos 12 meses, com apenas duas transações relevantes concluídas – o que reflete a escassa disponibilidade de ativos de elevada qualidade para aquisição. “As yields prime mantêm-se estáveis nos 5,25%, reforçando a atratividade e resiliência do setor num mercado cada vez mais maduro”, confirma a consultora.