A Century 21 Portugal encerrou 2025 com um desempenho global positivo, apesar dos sinais de abrandamento registados no final do ano. A rede imobiliária contabilizou 21.193 transações de compra e venda — um crescimento de 10% face a 2024 — e 5.604 contratos de arrendamento, o que representa uma subida anual de 3%.
O volume de negócios ultrapassou os 5,31 mil milhões de euros (+23%), enquanto a faturação atingiu 149,85 milhões de euros, traduzindo um aumento de 28% em comparação com o ano anterior.
Quarto trimestre abranda ritmo do mercado
Apesar da tendência de crescimento ao longo de 2025, os dados do quarto trimestre evidenciam um abrandamento homólogo no número de transações, em linha com os indicadores do setor. A desaceleração reflete maiores dificuldades no acesso à habitação e uma perda de poder de compra das famílias.
Tradicionalmente o período mais dinâmico do ano, o último trimestre concentrou 28,8% das vendas anuais da rede. Ainda assim, a comparação com igual período de 2024 revela um contexto mais exigente na tomada de decisão por parte dos compradores.
Procura mantém-se, mas acessibilidade condiciona
Os resultados reforçam as conclusões do estudo “Acessibilidade à Habitação”, apresentado este mês pela marca no Observatório do Imobiliário, que aponta para limitações persistentes no acesso à compra nas principais capitais do litoral. Esta realidade tem conduzido a uma deslocação gradual da procura para zonas periféricas e territórios do interior.
Ao longo do ano, a faturação registou um crescimento progressivo, passando de 30,1 milhões de euros no primeiro trimestre para 45 milhões no quarto. O preço médio de venda acompanhou esta evolução, subindo de 225.464 euros para 278.954 euros.
No arrendamento, a atividade intensificou-se até ao verão, com os contratos a crescerem de 1.293 no primeiro trimestre para 1.516 no terceiro (+17,2%). Contudo, no último trimestre verificou-se um recuo para 1.422 contratos (-6,2%).
Desafio estrutural persiste
Para Ricardo Sousa, CEO da rede em Portugal: "a procura mantém-se forte e consistente. O que se alterou foi a capacidade de concretização das transações, num contexto em que o poder de compra condiciona as decisões”, afirma.