BTR ganha força e investidores pedem menos barreiras para acelerar mercado

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COPIP, dia 2 de junho de 2026

O modelo build to rent (BTR) ganhou destaque no debate sobre habitação em Portugal, mas os profissionais alertaram que o crescimento deste segmento depende de uma série de condições como o financiamento adequado, segurança legislativa, escala, industrialização da construção e maior previsibilidade.

Banco Português de Fomento aponta BTR como resposta ao défice habitacional

A diretora coordenadora de Habitação Pública do Banco Português de Fomento, Isabel Santos Silva, afirmou que o problema habitacional deixou de ser apenas social para assumir uma dimensão económica: “A habitação é, por um lado, um problema social e, por outro, tem impacto económico”.

Perante um mercado historicamente de proprietários, defendeu que o desenvolvimento de um mercado de arrendamento mais profissionalizado é inevitável: “Temos mais proprietários do que arrendatários. Por isso, temos um mercado de arrendamento pouco profissional e com oferta pouco qualificada.” E, nesse contexto, mencionou o BTR como oportunidade para aumentar a oferta: “O build-to-rent vem tentar resolver uma questão de oferta com maior escala, sendo a solução para o aumento significativo de oferta que tão necessária é.”

Construção industrial é uma das chaves para reduzir custos

A industrialização da construção foi outro dos temas destacados como uma das soluções para o problema da habituação. Assim, foi apontada como necessidade a transformação de métodos construtivos:Acredito que o caminho do build-to-rent a custos acessíveis é fazer uma construção com recurso a pré-fabricação e construção modular”, afirmou Diogo Abecasis, co-CEO e founder da MAP Group. Segundo o responsável, a redução de custos exige padronização: “A construção tem de ser mais standardizada, mais repetitiva para se tornar mais económica.”

Também Alexandre Fernandes admitiu que a Sonae Sierra está a testar soluções industriais: “Achamos que o futuro da construção vai passar pela construção industrial e queríamos testá-la no build-to-rent.”

Segurança jurídica é uma das necessidades dos investidores

Apesar do interesse neste modelo, há obstáculos que continuam a ‘prejudicar’ a expansão do setor. Luís Corrêa de Barros, CEO da Habitat Invest, explicou que a lógica financeira do BTR difere do modelo tradicional: “No build-to-sell os retornos financeiros aparecem com as vendas, e no build-to-rent o investimento tem de ser muito mais paciente.”

A pressão dos custos e os atrasos administrativos foram também referidos pelo CEO: “Os custos de construção têm vindo a aumentar. O tempo é o pior inimigo de quem investe”, afirmou, referindo que o “problema de segurança legislativa, tributária e regulatória assusta os investidores, que procuram segurança e previsibilidade”.

Mercado português continua atrativo, mas precisa de capital institucional

No painel dedicado à visão dos investidores internacionais, referiu-se que Portugal continua atrativo, mas precisa de criar condições melhores condições para captar investimento de longo prazo. Jonatas Szkurnik, investment director e senior partner da Patron Capital, referiu: “Nós ainda consideramos que Portugal é um mercado em crescimento”, acrescentando que a perspetiva “de crescimento (...) é positiva”.

Já Francisco Sottomayor, CEO da Norfin SGOIC, deixou claro que “Para o mercado de arrendamento funcionar tem de haver capital institucional”.

Espanha como exemplo de reformas para melhorar mercado

A presidente da ASPRIMA, Carolina Roca, trouxe para o debate o exemplo espanhol, defendendo que Portugal precisa de mudanças. Segundo a responsável, o problema continuará a agravar-se sem reformas: “A cada ano aumenta a necessidade e o défice”, referiu, e para inverter a tendência, mencionou serem necessárias mudanças na “legislação e fiscalidade”, com “medidas disruptivas”.