IA transforma a procura de escritórios na Europa e abre oportunidades a Portugal

Imagem de Igor Omilaev na Unsplash
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O estudo “AI Clusters in Europe”, da Colliers EMEA Research, identifica Londres, Paris e Berlim como os principais polos europeus de IA. Munique, Zurique, Amesterdão, Dublin, Estocolmo, Varsóvia, Barcelona e Helsínquia formam um segundo grupo de cidades em crescimento.

Londres é o exemplo mais expressivo: as empresas de IA representaram 19% da ocupação de escritórios no 2.º trimestre de 2026, face a 10% no trimestre anterior. Contudo, parte desta procura não surge nas estatísticas tradicionais, já que muitas começam em escritórios flexíveis e só depois avançam para arrendamentos maiores explica a consultora.

Apesar do trabalho híbrido ser a opção dominante entre o novo perfil ocupante, o espaço físico continua a ser importante para estas empresas, o que reforça o peso da localização, da qualidade dos edifícios e do acesso a universidades e redes de inovação.

“A IA está rapidamente a tornar-se uma questão de geografia económica e de imobiliário. O seu crescimento está a reforçar a importância das cidades capazes de reunir talento especializado, investigação, capital, infraestruturas e clientes empresariais”, frisa Rodrigo Canas, diretor de Architecture & Building Consultancy da Colliers Portugal.

Centros de dados dão visibilidade a Portugal

No caso de Portugal, “o desafio consiste em converter o investimento em infraestruturas digitais numa oportunidade mais ampla para a economia, reforçando a inovação, a produtividade e a capacidade de atrair empresas e profissionais qualificados”, nota Pedro Valente.

O nosso país está apostado em afirmar-se como destino de centros de dados, com o novo Plano Nacional de Centros de Dados a prever 15 iniciativas para 2026-2027. Segundo a Colliers, em maio de 2026 contabilizava mais de 2,6 GW de capacidade planeada, com Lisboa a concentrar cerca de 1.389 MW de capacidade de TI prevista. Mas estes valores não devem ser confundidos com capacidade já instalada; até porque “a concretização deste potencial dependerá de fatores como a disponibilidade de energia e ligações à rede elétrica, a previsibilidade dos processos de licenciamento e a capacidade de mobilizar investimento privado”, observa Rodrigo Canas.

Embora o investimento em centros de dados, por si só, não implique um aumento proporcional da procura de escritórios, a Colliers conclui que a IA pode gerar novas oportunidades no setor,  em localizações com acesso a talento, boas ligações de transportes, proximidade a universidades e edifícios adaptáveis. Mas, para tal, proprietários, promotores e investidores terão de criar espaços que acompanhem o crescimento dos ocupantes, sem ignorar os custos de adaptação.

 

 

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