Grande procura de escritórios travada por falta de novos projetos e pela sua rentabilidade

Ana Tavares |
Grande procura de escritórios travada por falta de novos projetos e pela sua rentabilidade

Os números foram divulgados no mais recente Market Beat Outono, da Cushman & Wakefield, segundo o qual foram transacionados cerca de 79.500m², num total de 96 operações e 830m² de área média por transação. E mais projetos houvesse, mais colocação seria registada, é o que dizem os responsáveis.

No entanto, não há construção nova de escritórios no nosso mercado, e há escassez de projetos. Carlos Oliveira, diretor de Escritórios da consultora, esclarece que «há muitos escritórios, há é escassez de escritórios de qualidade» que preencham as exigências do mercado.

Além disso, «os escritórios estão a competir com o segmento residencial e com a hotelaria, e os promotores escolhem os projetos que têm mais rentabilidade», neste caso, os dois últimos, especialmente nas zonas prime da cidade. «Neste momento os países de leste, que competem connosco, ganham-nos na quantidade de oferta de qualidade que têm», notou o mesmo responsável.

Na sua opinião, «o ideal é uma mistura dos setores nas várias zonas da cidade, mas isso não tem acontecido. Era saudável que algumas zonas não fossem só de habitação de luxo, por exemplo, até porque os escritórios também consomem», referindo-se ao retalho. «Mas os promotores olham para a rentabilidade».

Entre os novos projetos previstos até 2018, apenas metade se encontra em construção. Destaque para a Torre da Cidade, promovida pela ECS, com entrega prevista para o próximo ano: tem 18.000m² e vai situar-se no CBD de Lisboa. O outro edifício em construção é propriedade do Santander, e destina-se à ampliação da sua sede na Praça de Espanha, acrescentando 6.000m² à zona. De notar que a grande maioria dos espaços em pipeline (63.000m2) tem já ocupação garantida e contratos de pré arrendamento.

No futuro, acredita que a zona ribeirinha do Beato, Marvila e zonas contíguas serão uma zona de escritórios, mas «só no futuro. As rendas que se praticariam ainda não pagam a construção de novos projetos», mas admite que esta nova zona de escritórios é uma inevitabilidade a longo prazo.

De acordo com os responsáveis, tem-se registado cada vez uma maior quebra dos incentivos aos inquilinos de escritórios depois de passada a crise. E os escritórios são o setor com maior potencial para a subida de rendas, sendo que o Prime CBD pratica rendas médias de 16 euros/m²/mês (renda prime de 18,5 euros), o CBD de 14,5 euros/m²/mês (prime de 16,5 euros) e o Parque das Nações 15 euros/m²/mês (prime de 16 euros).

Bom momento deverá continuar

A C&W perspetiva que o bom momento do mercado continue nos próximos tempos, até porque a economia continua a não dar más notícias, e Portugal está a beneficiar das conjunturas de vários vizinhos europeus: «A instabilidade da banca em Itália, o Brexit, o governo em Espanha, ou as eleições na Alemanha, estão a jogar a favor de Portugal, que tem, inclusive, um governo estável comparativamente», notou Luís Rocha Antunes, diretor de Investimento, durante a apresentação do estudo aos jornalistas.

Segundo este responsável, os investidores estão já a alargar os seus horizontes perante poucas oportunidades de negócio nas zonas mais prime da cidade de Lisboa, investindo assim em produtos diferentes e em zonas diferentes, alargando assim as zonas de «prime e quase prime». As suas nacionalidades são cada vez mais diversificadas.

Eric van Leuven, managing partner da C&W, não escondeu a preocupação do setor com o anunciado novo imposto sobre o património, a substituir o Imposto de Selo, já que «os investidores estrangeiros não gostam de brincar às fiscalidades». Avançando o novo imposto, com moldes ainda desconhecidos, «Portugal pode ser menos competitivo e interessante», e isso fará com que os negócios sejam feitos em países vizinhos.