Coworking

Segmento alternativo está vulnerável à crise Covid-19

Vanessa Sousa |
Segmento alternativo está vulnerável à crise Covid-19

A flexibilidade e os contratos de curta duração que apresentam o co-working, co-living e o student housing são dois pontos que não jogam a seu favor, e que os tornam vulneráveis à crise. Já o senior living segue resiliente, apesar de também apresentar riscos.

Os fatores que colocam cada um dos setores alternativos expostos a um maior ou menor risco são diferentes, segundo explica o estudo mais recente da consultora JLL intitulado “COVID-19: Global Real Estate Implications”.

 

Co-working: ocupação diminui com o aumento de teletrabalho

A ocupação dos centros de co-working é diretamente influenciada pelas medidas impostas pelos Governos que obrigam o teletrabalho sempre que possível. Segundo a JLL, «as taxas de utilização de escritórios caem à medida que o trabalho remoto aumenta».

As rendas destes espaços ficam automaticamente afetadas e «os proprietários com exposição a arrendamentos de curto prazo são os mais vulneráveis». «Se os membros decidirem cortar contratos de curto prazo» a exposição ao risco neste setor será ainda maior.

Por outro lado, os operadores que possuem rendas de médio prazo estarão «menos expostos» e, portanto, com rendimentos «mais seguros».

 

Student Housing: fecho das Universidades impacta as rendas

O encerramento obrigatório dos estabelecimentos de ensino superior a par das restrições nas viagens está a ter impactos diretos na ocupação do student housing que vê, por isso, os seus rendimentos no curto prazo afetados.

A instabilidade da atual conjuntura – que não tem data prevista para terminar – irá afetar a performance e os resultados operativos destas unidades entre 2020 e 2021, prevê o estudo.

 

Co-Living: flexibilidade é um «risco negativo»

A flexibilidade inerente às novas formas de vida e de habitar as cidades que veem no co-living uma solução, é, perante a crise, um fator de «risco negativo» para o segmento. Os arrendamentos de curta duração no co-living apresentam aliás, «risco imediatos nas rendas».

E as estratégias dos investidores também podem ser afetadas, se este cenário se prolongar, já que «minará o investimento adicional em ativos», um dos vetores base.

 

Senior living: a procura deverá manter-se

Ao contrário dos outros segmentos que veem a procura a reduzir exponencialmente pelos efeitos da pandemia, o senior living deverá continuar a tê-la, tornado este setor «mais resiliente».

Mas, segundo o estudo, a procura não significa necessariamente um aumento do rendimento neto, já que haverá «mais custos operacionais relacionados a protocolos de proteção altos e necessários para os ocupantes».

Por outro lado, a JLL sublinha que este segmento mantém «riscos adicionais consideráveis» devido à idade e ao perfil de saúde dos seus ocupantes. Além disso, a atividade de investimento neste setor será limitada no curto prazo, já que o interesse pelo segmento é restrito.