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Negócios à distância “são o futuro”

Ana Tavares |
Negócios à distância “são o futuro”

As palavras são de Hugo Santos Ferreira, Vice-Presidente Executivo da APPII, que falava durante o webinar “Transformação Digital do Negócio nos Setores da Construção e Imobiliário” promovido esta semana pelo SIL/Tektónica.

Segundo o responsável, «é preciso lançar a mensagem lá fora de que precisamos de investimento», até porque Portugal «tem de continuar a ser um país atrativo e seguro», e considera que «fazer negócios à distância é o futuro. As vendas diretas online têm crescido exponencialmente, sabemos isso falando com os nossos associados. A transformação digital nas nossas empresas foi feita com o Covid-19, poderia demorar décadas, mas demorou dias».

Na ocasião, partilhou o recém apresentado Programa Relançar, uma iniciativa da APPII que «quer capacitar o setor imobiliário para voltar a atrair investimento estrangeiro. As nossas empresas estão preparadas para voltar a assumir um plano de retoma», garante. Entre as principais medidas pedidas neste programa estão o relançamento «inequívoco» dos programas de Golden Visa e Regime de Residentes Não Habituais, a descida do IVA na construção para 6%, o fim do AIMI na habitação e a maior celeridade dos processos de licenciamento.

 

Tecnologia vai permitir “fazer as coisas de maneira diferente”

Participando na mesma conferência, Ricardo Sousa, CEO da Century 21, partilhou que «temos de usar a tecnologia para fazer as coisas de maneira diferente e relevante».

Segundo o responsável, com a pandemia «coloca-se em evidência a importância da transformação digital e adaptação de protocolos. Assistimos à mobilização de toda a cadeia de valor de um setor. As assinaturas digitais foram aprovadas neste processo, e há clara necessidade de mudança de paradigma, numa lógica transacional e relacional». Destaca enquanto um dos principais desafios atuais a concretização das escrituras de forma digital.

E está convicto de que «a tecnologia só veio destacar a importância da inteligência emocional, com os clientes e também com os fornecedores».

Beatriz Rubio, CEO da Remax, explicou que a Remax se começou a adaptar digitalmente logo no início da crise, quando «a tecnologia passou a ser importantíssima, nomeadamente para falar com os clientes». Acredita que, ao contrário da crise anterior, «podemos continuar a fazer negócios usando a tecnologia, nomeadamente com visitas virtuais, e qualificando financeiramente os clientes».

 

Preços ainda não desceram

Beatriz Rubio atesta um aumento dos pedidos de contacto na rede Remax durante o mês de maio, num total de cerca de 800 contactos por dia. E acredita que «os preços ainda não desceram», e «muitas casas em alojamento local ainda não foram recolocadas no mercado. Muitos estão à espera que as fronteiras abram e que o turismo regresse».

Notando que «esta crise é diferente» da anterior, alerta que «que o orçamento familiar terá constrangimentos, quer queiramos quer não, porque muitas empresas não vão voltar a abrir. Nesse sentido, poderão haver mais vendas por causa da dificuldade de pagamento da hipoteca. Isto pode vir a ser um problema no futuro».

Ricardo Sousa também atesta «uma clara estabilidade dos preços», e diz que «de março até agora, só 8% da nossa carteira teve um desconto, uma média de 7% abaixo do inicialmente pedido. Não sabemos ainda qual será o impacto nos próximos meses, com o aumento do desemprego ou prolongamento do lay off. Mas esperamos recuperação progressiva ao longo de 2021», conclui.