CBRE

Covid-19: investidores atrasam processos, mas não perdem interesse

Ana Tavares |
Covid-19: investidores atrasam processos, mas não perdem interesse

O Managing Director da CBRE em Portugal explica à VI, no âmbito da nova rubrica “Especial Covid-19 – Conversas diárias”, que «os negócios que estavam numa fase mais adiantada estão a decorrer. 99% dos processos em que estamos a trabalhar mantêm-se em vigor, à exceção do caso de um investidor nacional que decidiu retirar-se do processo».

Mas é certo que os investidores «pedem-nos mais tempo, pois do ponto de vista prático é mais difícil avançar com os processos. Os que já estavam a decorrer vão demorar mais tempo, não sabemos quando vai ser o seu desfecho, porque a situação é um pouco incerta ainda».

 

Um 11 de setembro, e não 2008

Francisco Horta e Costa acredita que esta crise «é mais um 11 de Setembro que um 2008. Mesmo que esta crise deixe marcas, e vai deixar marcas profundas no curto prazo, mas serão menos duradouras do que a crise que enfrentámos na última década».

O responsável está confiante que «há muita vontade de voltar ao normal, a liquidez continua muito presente, os investidores continuam a pedir-nos para mostrar oportunidades de investimento em Portugal (…) Os ativos não deixam de estar na mente dos investidores, mas é mais difícil imaginar a concretização de transações deste género nesta altura».

 

Hotelaria e retalho podem levar a maior “pancada”

«Sabemos que alguns setores vão sofrer mais do que outros no curto prazo, nomeadamente a hotelaria e o retalho», diz Francisco Horta e Costa, nomeadamente porque «o ano de 2020 está comprometido com o cancelamento das estadias nos hotéis».

Por outro lado, «os setores mais resilientes continuam a ser os escritórios, todo o "living" (residencial em arrendamento, senior living), que continuam a merecer a atenção dos investidores nesta fase».

Seguro de que «o mercado de arrendamento vai surgir em escala e de forma profissional», o responsável nota também que «é natural que com o abrandamento das transações de compra e venda de casas que muitos proprietários optem pelo arrendamento».

 

Um regresso ao mercado “com muito mais força”

Porque apesar da crise «os fundamentais do mercado “não desapareceram», Francisco Horta e Costa acredita que «quando tudo passar, poderemos ter um regresso ao mercado com muito mais força do que temos visto, sejam salvaguardados os danos colaterais que esta crise vai ter em alguns setores».

Isto porque «vamos continuar com um contexto de taxas de juro baixas por muito mais tempo, não há alternativas de investimento seguras e estáveis como o imobiliário, e basta olhar para a evolução das bolsas nos últimos tempos. Toda a liquidez, tem de ser investida. Vai ser preferível fazer um investimento num imóvel que gere renda mesmo sem o visitar do que ter o dinheiro parado e ter rentabilidades negativas».

E está convicto de que «a chave para esta crise é a capacidade de aguentar, por exemplo aguentar não vender agora com algum desconto», mas que «ainda não vemos isso em Portugal neste momento».