APFM: Pessoas estão no centro do facility management (atual.)

Ana Tavares |
APFM: Pessoas estão no centro do facility management (atual.)

«Este ano julgamos ter conseguido que o foco de todos os painéis fosse as pessoas. Independentemente do tema em cima da mesa, fosse ele tecnologias de informação, fosse sobre estratégia corporativa, fosse sobre mobilidade e sustentabilidade, era claro que havia na sua génese a preocupação com o impacto nos colaboradores ou utilizadores dos espaços. Isso, para nós associação, era o nosso principal objetivo ao longo destes últimos anos, de ajudar os profissionais em Portugal a fazerem essa mudança de mentalidade», comenta Miguel Agostinho, diretor executivo da Associação Portuguesa de Facility Management, à VI.

Casos como o The Student Hotel, em Amesterdão, ou os escritórios da Critical Software em Portugal, além da mudança de espaços da Vodafone ou da OLX foram apresentados durante o primeiro dia da conferência como exemplo de boas práticas focadas no bem-estar dos utilizadores dos edifícios.

Na ocasião, Jorge Fonseca, da 3g Office, atestou que fatores como a economia circular e colaborativa, o foco nas pessoas e a sustentabilidade têm motivado a mudança das empresas, numa altura em que «o produto tem de ser apresentado como uma experiência, e não só como um consumo imediato».

Hoje em dia «temos de encontrar nos espaços ferramentas e metodologias que permitam desenvolver a atividade necessária para as equipas multidisciplinares», procurando seguir «um propósito e enaltecer o indivíduo. A ideia é que a empresa comece a ter ganhos concretos», como menos queixas de ruído, menos gastos de energia, e maior produtividade, exemplificou.

No mesmo sentido, Rodrigo Yusta, da JLL, afirmou que «os edifícios devem ser smart e eficientes, e o espaço de trabalho smart, feliz e produtivo». E toda a mudança deve ter especial atenção à sua comunicação, defende Manuela Passos, da Vodafone.

Os oradores concordam que o maior desafio deste tipo de mudanças é a mentalidade e a cultura das empresas. Miguel Valério, da Critical Techworks, acredita que a questão geracional é uma das maiores dificuldades, bem como conseguir conjugar as diferentes necessidades de trabalho no mesmo espaço.

Sara Brito, da empresa de recursos humanos People Value, acredita que «o facility manager é que gere saúde, foco, produtividade, felicidade dos colaboradores. Pode ter especial impacto na criação de uma cultura verde, de espaços colaborativos, design, “amenities”, “data for performance”, ou edifícios inovadores».  

Para João Hormigo, Presidente da APFM, «a satisfação das pessoas é a principal razão de existência para o Facility Management. Independentemente da tecnologia e de todos os sistemas que aplicamos em instalações e edifícios, o objetivo máximo é garantir a criação de um espaço de qualidade, que seja sustentável do ponto de vista ambiental e que esteja em conformidade com todos os requisitos de compliance, mas que principalmente garanta o bem-estar e a satisfação das pessoas que nele trabalham todos os dias».

 

Passar de “gestores de custos para criadores de valor”

Entre os principais temas debatidos na edição deste ano, e que melhor refletem o momento e as preocupações atuais do mercado do FM e das empresas, Miguel Agostinho destaca que «os facility managers, do lado dos ocupantes, e os prestadores de serviço do lado da oferta continuam a debater-se com uma considerável falta de reconhecimento. O que prejudica quando procuram deixar de ser gestores de custos para criadores de valor».

Por outro lado, «é claro para todos que o lado da oferta não pode ser sustentável com grande parte da sua força de trabalhadores a ganhar o salário mínimo e não é possível que um facility manager não tenha margem de manobra para criar processos e sustentar-se nas mais básicas ferramentas de IT atuais para dar um salto imenso na sua produtividade». E remata que «infelizmente, continua-se a comprar serviços em vez de contratar serviços, a fazer leilões de serviços que são críticos a suportar o core business. Imagine se as empresas contratassem pessoas como compram serviços, por leilão», completa.

 

Sustainable Development Goals na agenda do setor no próximo ano

Como principal desafio para o próximo ano, a APFM assume que «precisamos trazer os Sustainable Development Goals para o nosso fórum, relacionar os projetos que os Facility Managers desenvolvem com o impacto que têm nessas 17 diretivas».

Para Miguel Agostinho, «esta forma de pensar a “big picture” ajuda a que não nos percamos na floresta, ajuda-nos a ter metas claras e impactantes na vida das pessoas e no nosso planeta. Aliás, a iniciativa que está a ser levada a cabo pela EuroFM neste âmbito está a ser liderada pela APFM».

 

 

Atualização a 8 de outubro com mais declarações