Mas o que tem este pobre sapo a ver com os nossos locais de trabalho e como conjugar o melhor dos dois mundos? A resposta é simples: tem tudo a ver.
A estratégia de organização dos espaços mudou radicalmente nos últimos anos e, hoje, centra‑se no bem‑estar dos trabalhadores, fator chave para atrair e reter talento e aumentar a produtividade. Mas “estas águas” estão sempre a aquecer. Muitas empresas estão a mudar-se para edifícios mais modernos e sustentáveis, com escritórios desenhados a partir de estudos de workplace, integrando zonas individuais, áreas colaborativas, espaços de convívio e até ginásios.
Em Lisboa, a localização também está a mudar, com maior procura nas zonas “Central Business District”, “Parque das Nações” e “Zona de Expansão”, privilegiando acessibilidade e serviços.
Estas mudanças surgem lado a lado com o teletrabalho (maioritariamente em regime híbrido), que permite otimizar áreas e obriga a uma nova gestão da ocupação. Em muitos escritórios, não existe correspondência direta entre número de colaboradores e postos de trabalho, tornando a previsibilidade da ocupação tão importante, quanto desafiante. Os acordos e políticas claras de teletrabalho são instrumentos, pouco usados, mas determinantes para garantir equidade e organização, evitando disparidades entre equipas.
A flexibilidade dos espaços e o uso eficiente dos recursos tornam-se essenciais, consagrando o escritório como local privilegiado para colaboração. No futuro, modelos como a semana de quatro dias, ou o encerramento do escritório à sexta‑feira, poderão estar em cima da mesa, reduzindo custos num dia já amplamente dedicado ao trabalho remoto.
Os trabalhadores também devem manter-se atentos “à temperatura da água”. O trabalho remoto pode levar a jornadas mais longas e menos pausas, com fronteiras difusas entre vida pessoal e profissional, ou a jornadas noturnas para compensar a suspensão do trabalho, para, por exemplo, atender a filhos pequenos. Embora tenha vantagens claras, especialmente em termos de conforto e gestão do tempo, o teletrabalho — sobretudo em regime exclusivo — pode gerar isolamento e perda de contacto social, com impactos diagnosticados, cujos dados não estão ainda exaustivamente tratados.
Além disso, ressalvadas as situações previstas na lei, organizar a vida assumindo o teletrabalho como permanente, pode revelar-se uma má aposta: não é um direito adquirido e pode cessar por decisão do empregador. É importante ir medindo o ambiente à volta e ajustando as presenças e as ausências. A ausência física prolongada pode traduzir‑se em oportunidades perdidas, menor proximidade e erosão de confiança. Para quem está a entrar no mercado de trabalho, o risco é maior: a aprendizagem e o desenvolvimento de competências sociais em contexto de trabalho dificilmente se fazem apenas à distância, limitando ou mesmo atrasando a progressão da carreira, frustrando expetativas e gerando desânimo.
O desafio não é escolher escritório ou remoto. Conjugar o melhor dos dois mundos, obriga que empresas e colaboradores naveguem atentos, permaneçam flexíveis e adaptáveis no(s) seu(s) ambiente(s), e sejam capazes de fazer as mudanças necessárias… sem deixar a água ferver.