Tecnologia e imobiliário: “Vamos ter de entender o propósito do local”

Ana Tavares |
Tecnologia e imobiliário: “Vamos ter de entender o propósito do local”

As palavras são de Bill Kistler, Executive Vice President e Managing Director EMEA do International Council of Shopping Centres, convidado do mais recente Almoço Conferência Vida Imobiliária, sob o mote “Novos cenários de investimento imobiliário na era digital” que se realizou esta segunda-feira no InterContinental, em Lisboa.

«Os dois mundos (tecnologia e imobiliário) estão a fundir-se, e isto vai criar grandes e boas oportunidades de criação de valor. Mas também muitos desafios no curto prazo», acredita o responsável.

Até porque «a mudança tecnológica dos próximos 10 anos vai ser dramática, muito mais rápida que nos últimos 20 anos. E estamos só agora a começar a ver as mudanças e o impacto no imobiliário. É muito difícil prever como estas mudanças vão mudar um setor que evolui em ciclos longos», diz o responsável.

Para já, os setores dos escritórios e a hotelaria são alguns exemplos daqueles que mais sentiram este impacto do digital. Mas, sobretudo, o retalho, que vive sob o estigma do “retail apocalypse” (apocalipse do retalho) a nível global. Mas Kistler considera que não se trata de um apocalipse, mas sim «um renascimento, uma fusão entre a tecnologia e as lojas».

 

Online conhece melhor o consumidor, físico ajuda na decisão

Kistler lembrou na sua intervenção que a verdade é que mesmo as empresas que surgiram no online caminham agora para ter espaços físicos, como a Amazon, que «sabe que o futuro não é só online, e por isso vai abrir centenas de lojas físicas nos EUA e também na Europa», onde as tecnologias serão perfeitamente incorporadas.

Um estudo recente do ICSC mostra que empresas exclusivas online registaram um aumento das suas vendas (também online) com a abertura de lojas físicas, e este tipo de espaço «é muito importante na decisão de compra online» e uma forma de contribuir para o “brand awareness”. Por outro lado, o fecho de lojas baixa o número de vendas, pois «sugere que a empresa vai fechar».

E considera que a maior vantagem do online é o facto de este canal permitir conhecer melhor o consumidor e uma maior recolha de informações variadas sobre o mesmo e sobre o seu processo de compra, dando mesmo o exemplo de empresas que, tendo os artigos disponíveis em loja, dão a opção de a compra ser feita online.

Mas, para Kistler é certo que «as pessoas vão precisar sempre de viver e existir no mundo físico», e por isso os edifícios, seja de que espécie forem, serão sempre necessários. Vai caber ao mercado adaptar-se aos melhores contextos.