Segundo o relatório “European Luxury Retail” da Cushman & Wakefield, o retalho de luxo europeu manteve, em 2025, uma trajetória de forte dinamismo, evidenciando a resiliência e atratividade do setor.
Ao longo do ano passado foram inauguradas 96 novas lojas de luxo em 20 ruas de referência, distribuídas por 16 cidades e 12 países europeus, um aumento face às 85 aberturas registadas em 2024, o que reflete uma confiança renovada das marcas no retalho físico.
Embora grupos como LVMH, Kering e Richemont representem quase um terço das novas aberturas, cerca de 70% das lojas foram inauguradas por 57 outras marcas e grupos.
Este crescimento ocorre, contudo, num contexto de forte escassez de oferta. As principais ruas de luxo apresentam níveis de disponibilidade próximos de zero, intensificando a concorrência pelos melhores espaços. Esta limitação tem impulsionado soluções criativas na ocupação dos imóveis — como a utilização de pisos superiores — e sustentado a subida das rendas prime, que em 2025 se situavam 7% acima dos níveis de 2018, atingindo máximos históricos.
Em Lisboa, esta realidade evidencia-se na Avenida da Liberdade. Maria José Almeida, Associate e Responsável pelo Comércio de Luxo na Cushman & Wakefield, refere que: “Lisboa segue claramente a tendência europeia, mas com um mercado ainda mais condicionado pela menor escala e escassez de oferta. Em 2025, registaram-se três novas aberturas na Avenida da Liberdade, num contexto de disponibilidade praticamente nula.”
Segundo a responsável, “A procura deverá manter-se acima da oferta e a própria Avenida da Liberdade encontra-se fisicamente limitada. Neste enquadramento, é expectável que as rendas continuem a subir, reforçando o posicionamento da avenida como o principal destino de luxo em Portugal”.
As conclusões do relatório confirmam que “o setor do retalho de luxo permanece sólido”. Com as lojas físicas a “manterem um papel estratégico nas estratégias de crescimento das marcas, as principais artérias de luxo europeias, incluindo Lisboa, deverão continuar a desempenhar um papel central no panorama do retalho de luxo nos próximos anos.”